Em uma ação conjunta entre Sebrae/PR e Sociedade Rural do Paraná (SRP), foram realizados 37 eventos técnicos no Pavilhão Smart Agro durante os dias 9 e 19 de abril, na ExpoLondrina 2026. Entre os destaques, palestras sobre a sucessão e tendências nas pequenas propriedades rurais, inovação e mercado e um Hackathon que reuniu 21 pesquisas científicas focadas em soluções para o agronegócio.
A diretora de Inovação da SRP, Tatiana Fiuza, destaca que para comemorar os dez anos de Smart Agro, a prioridade foi oferecer conteúdos que conectassem as tecnologias do futuro à vida do produtor rural.
“As palestras abordaram a diversidade da agricultura e pecuária do Norte do Paraná. Trouxemos temas ligados às questões administrativas das propriedades, novas tecnologias, pesquisas e tendências para soja, cafeicultura, fruticultura, bovinocultura e avicultura, por exemplo. Acredito que a correalização junto ao Sebrae/PR foi importante para que a gente atingisse toda a diversidade da cadeia produtiva da região”, destaca Tatiana.

Na segunda-feira (13), o Sebrae/PR levou cinco caravanas da região Norte do Paraná para o Smart Agro, com total de 200 participantes. O objetivo foi o de promover o acesso a conhecimento, networking e oportunidades de negócios para o pequeno produtor rural.
A consultora do Sebrae/PR, Leda Terabe, destaca que as palestras do chamado SebraeAgro “Cultivando o Amanhã – Sucessão e Tendências” e “Fruticultura em Alta – Inovação e mercado para quem produz com sabor e qualidade” foram as que mais atraíram o público que lotaram a Arena Futuro do pavilhão.
“São temas que falam de inovação e sensibilizam o nosso público que é o empreendedor rural. Eventos como este são importantes para promover diálogos sobre temas necessários e que impactam de fato a vida do pequeno produtor”, afirmou.

Entre os palestrantes da edição comemorativa dos dez anos do pavilhão Smart Agro, a cientista brasileira Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, baseada em Londrina. Mariangela venceu o World Food Prize 2025, premiação mais importante da agricultura mundial, conhecida como o “Nobel da Agricultura”. Também foi reconhecida na lista das cem pessoas mais influentes do mundo pela Revista Time, na categoria Pioneiros.
Com uma trajetória consolidada na microbiologia do solo, a pesquisadora mostrou na ExpoLondrina como o uso de microrganismos tem revolucionado a agricultura ao promover ganhos produtivos e redução nos custos, além de contribuir diretamente para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa.
Hackathon com 21 pesquisas científicas

Vinte e uma pesquisas científicas para solucionar os desafios do agronegócio foram apresentadas no Hackathon Smart Agro durante a programação do Pavilhão Smart Agro, na ExpoLondrina 2026, entre os dias 17 e 19 de abril. A iniciativa reuniu estudos que disputaram nas categorias Ensino Médio e Ensino Superior (graduação e especialização), representantes de instituições de Londrina e região com soluções inovadoras para o setor.
Primeiro colocado na categoria de Ensino Superior, o doutorando do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Bruno Melegari, venceu com o projeto Lab Plant. Ele explica que segundo as normativas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a cultura de tecidos vegetais em laboratório para produção de mudas é um processo rigoroso e controlado.
“Assim como outras culturas, o morango, que foi a que a gente apresentou aqui no desafio, tem a necessidade de um laboratório para manter a produção de cultivares que são utilizados em tecidos vegetais”, detalha.
Ele conta que o fato de 75% dos morangos consumidos no Brasil serem importados motivou a ideia de juntar uma pesquisa já existente na UEL, que foca no desenvolvimento de mudas da fruta, junto à pesquisa de cultura de tecidos vegetais.
“Existe uma demanda grande do mercado brasileiro, que ainda é depende da produção externa. A ideia é baratear os custos do acesso ao morango, ofertar espécies já adequadas ao nosso clima e, especialmente, diminuir a nossa dependência econômica”, explica.
Para Bruno, a metodologia do Hackathon Smart Agro é fundamental para aproximar soluções desenvolvidas na Academia com o dia-a-dia da população.
“A gente não pode deixar as soluções que já existem nas universidades, e em outras instituições de ensino, restritas a um pequeno grupo de pesquisadores e teóricos. A possibilidade de apresentar isso em um Hackhathon e participar de um programa de pré-incubação torna possível a escalabilidade da solução”, ressalta.
Na categoria Ensino Médio, BioCell foi o projeto vencedor. Ex-aluno do curso de biotecnologia do Instituto Federal do Paraná (IFPR), Victor Guilherme se reuniu com dois alunos da instituição para desenvolverem uma solução com biocelulose.
“É a primeira vez que participamos de um Hackathon e, felizmente, fomos agraciados com este prêmio”, comenta. A biocelulose, ou celulose bacteriana, é um material de alto valor tecnológico produzido por microrganismos através da fermentação, que tem ganhado destaque no agronegócio por ser um biopolímero sustentável, renovável e com alto valor agregado.
Além do convite para participar do programa de pré-incubação da Go SRP, as três equipes melhores avaliadas conquistaram premiação em dinheiro. O primeiro lugar do Ensino Médio e, também, do Ensino Superior ganhou R$3 mil, enquanto o 2º lugar R$2 mil e o 3º lugar R$1 mil.
O Hackathon Smart Agro é uma realização da SRP Valley, Sebrae/PR e GO SRP, com apoio da Agro Valley e patrocínio do Sistema Fiep, Senai Paraná, UniSenai/PR, Cooperativa Integrada, Sicoob Ouro Verde e Fitovision.
