Chegar ao mercado internacional exige preparação, estratégia e conhecimento sobre as exigências de cada destino. No Oeste do Paraná, pequenos negócios percorrem esse caminho em busca de novos mercados, em um processo que pode envolver desde a adequação de produtos e serviços até questões de logística, precificação e identificação de oportunidades comerciais.
Essa jornada esteve em discussão durante a reunião do Comitê Consultivo do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), realizada na sede do Sebrae/PR, em Cascavel.

O encontro reuniu empresas em diferentes etapas do processo de internacionalização, entre elas negócios que já exportam produtos e serviços e seguem prospectando novos mercados.
É o caso de Felipe Luiz de Lemos Nobre, sócio-fundador da AVant e da Terraxis, com atuação na gestão geral da AVant e técnica da Terraxis. Com soluções em sementes, agricultura digital e drones, a empresa já mantém negócios em Portugal e Paraguai e prospecta oportunidades no Uruguai, na Argentina e na Espanha.
Em Portugal, a AVant atua desde 2019 com consultoria em sementes. Mais recentemente, com apoio do PEIEX e do Sebrae/PR, avançou em uma Prova de Conceito (PoC) de agricultura digital com um produtor de milho, além de prospectar novas frentes com instituições portuguesas.
Em 2025, durante uma missão da ApexBrasil e do Sebrae no Uruguai e na Argentina, a empresa também ampliou contatos comerciais que permanecem ativos.

“A participação no mercado internacional foi fundamental para a sobrevivência da AVant nos últimos anos. A AVant foi fundada em 2014, em Cascavel, ao longo dos 12 anos de operação enfrentamos desafios diversos a cada nova safra e mantemos a resiliência da operação, nos ajustando ao mercado, de acordo com o momento”, explica Felipe.
Marca e consolidação no mercado
Criada em Cascavel, a Zero Açúcar, marca de moda fitness da fábrica própria Texport, avança em uma nova etapa de internacionalização. A empresa, que produz cerca de 900 mil peças por ano e já confeccionou os uniformes da delegação brasileira para os Jogos Paralímpicos de 2018, começou sua trajetória atendendo o mercado nacional e também com distribuição no Paraguai.
Com a expansão do e-commerce, surgiu a oportunidade de avançar para outros mercados. A empresa estruturou um plano de exportação inicialmente voltado ao México, com foco em uniformes para uma grande rede de academias. Durante o processo de capacitação com o PEIEX, porém, o planejamento ganhou uma nova frente, com o início das negociações com as Filipinas.
Letícia de Matos Lemos, gerente de Planejamento e Controle da Produção da Zero Açúcar, conta que o grupo já realizou exportações para o Paraguai, México e Filipinas, sendo os dois últimos mercados iniciados neste ano.
“O PEIEX contribuiu nesse início. Foi um trabalho conjunto e ajudou nesse processo de expansão para outros mercados”, explica Letícia.

A internacionalização faz parte dos planos de crescimento da empresa, que estabeleceu metas para ampliar gradualmente sua presença fora do País.
“Entendemos que é possível chegar a mais países. Estamos trabalhando para isso e temos um planejamento de metas até 2031. Vamos nos esforçar para continuar expandindo”, afirma Letícia.
Jornada da exportação
O Sebrae/PR é parceiro da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) na execução do PEIEX na região Oeste. A iniciativa tem duração de dois anos, com a meta de qualificar 150 empresas de diferentes portes. No primeiro ano, 87 negócios já participam do processo de preparação para o mercado internacional.
De acordo com a especialista em competitividade da ApexBrasil, Camila Manguinho Monteiro, a proposta é apoiar as empresas na construção de uma estratégia para acessar mercados internacionais, considerando as diferentes etapas e exigências envolvidas na exportação.
“Esse programa, que existe há mais de 20 anos, oferece apoio para que empresas brasileiras consigam exportar. Porém, é preciso deixar claro que acompanhamos cada uma destas empresas para dar qualidade ao trabalho. Exportar não é fácil, requer estratégia, logística e direcionamento para escoar o seu produto”, explica Camila.
O consultor do Sebrae/PR, Willian Braga Tomaz, reforça que a qualificação não tem como resultado obrigatório uma exportação imediata, mas a preparação da empresa para identificar e aproveitar oportunidades no mercado internacional.
“Atuamos na gestão estratégica e organização do produto que é preparado para a exportação, por isso é um programa de qualificação. O sucesso não é ele já exportar imediatamente, porque às vezes leva um tempo para que o empreendedor possa colocar o seu produto no mercado internacional, então o que fazemos é preparar esta empresa para que no futuro ele possa ter essa oportunidade, que sim, pode acontecer a curto prazo”, explica Willian.
A reunião em Cascavel foi a segunda do ano do Comitê Consultivo do PEIEX e reuniu entidades representativas da região Oeste para acompanhar o andamento do programa e as diferentes etapas de preparação das empresas participantes.
Sobre o PEIEX
O PEIEX tem como base uma metodologia adaptada a diferentes perfis de empresas e setores. Considerando as particularidades do agronegócio, da indústria de transformação e dos serviços, o programa trabalha com conteúdos específicos por meio do PEIEX Bens, PEIEX Agro e PEIEX Serviços.
Durante o atendimento, é realizada uma análise da maturidade exportadora da empresa, a partir da qual são trabalhados aspectos do comércio exterior, como adequação de embalagem, produto ou serviço, identificação de oportunidades internacionais e de barreiras de acesso ao mercado, além de orientações sobre precificação e frete.
O processo de qualificação tem duração média de três a seis meses, dependendo da disponibilidade da empresa para os encontros, e resulta na elaboração de um plano de exportação, para produtos, ou de um mapa de valor, para serviços. A partir desse diagnóstico, cada empresa estrutura uma estratégia para iniciar ou ampliar sua atuação no mercado internacional.
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