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Empreendedoras de São José dos Pinhais são destaque no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios

Município concentrou três das cinco vencedoras paranaenses; Regional Leste teve seis finalistas entre as 25 selecionadas no Estado
Por ASN Paraná
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Uma pousada ecológica erguida a partir de um desenho em folha de caderno, uma queijaria artesanal inspirada na tradição italiana e uma indústria de alimentos liderada por uma empresária que começou como faxineira. Três trajetórias de São José dos Pinhais foram reconhecidas na etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios (PSMN) 2026 e mostraram a força do empreendedorismo feminino do Paraná.

Maria Ivone de Oliveira, do Rancho do Sena Pousada Ecológica, venceu na categoria Microempreendedora Individual (MEI). Carla Gualano, da Sapori Italiani, ficou em primeiro lugar entre Produtoras Rurais e Artesãs. Maritânia Aparecida Figueiredo, sócia e CEO da Cristal Massas, venceu em Pequenos Negócios.

Vencedoras PSMN 2026. Foto: Inove.

A etapa estadual do PSMN 2026 reuniu 597 inscritas, selecionou 25 finalistas e premiou três primeiras colocadas da regional leste. As vencedoras estaduais seguem para a etapa regional, que define as representantes das cinco regiões do País na fase nacional.

Para Elaine Vidal, consultora do Sebrae/PR, o desempenho da Regional Leste reflete a diversidade dos negócios conduzidos por mulheres na região. “Esse resultado vai além das conquistas individuais. Mostra a força de empreendedoras que buscam conhecimento, fortalecem redes e transformam desafios em crescimento”, afirma.

Do sonho no papel à pousada ecológica

A história de Maria Ivone de Oliveira, 62, começou com o plano de transformar uma propriedade rural da família em hospedagem integrada à natureza. Durante a construção, ela perdeu o marido, conhecido como Seu Sena, para a Covid-19, em 2021. O projeto ficou parado por alguns meses, mas foi retomado com apoio da família.

O avanço veio aos poucos, com recursos próprios. Em 2023, uma empresa precisou hospedar 11 trabalhadores na região. Mesmo sem a estrutura completa, Maria Ivone adaptou quartos, comprou beliches e passou a servir refeições. A receita de quatro meses ajudou a financiar a continuidade da pousada.

Maria Ivone de Oliveira venceu o primeiro lugar na categoria MEI do PMSN 2026. Foto: Acervo pessoal.

Com o empreendimento em funcionamento, a empreendedora passou a enxergar a hospedagem como experiência. “Aprendi a acompanhar o hóspede desde o primeiro contato até a chegada e a vivência no rancho. Também passei a cuidar melhor de pontos como prevenção, segurança e comunicação”, diz.

Mentorias e avaliações do Sebrae/PR também levaram a mudanças na fachada, à criação de site e à organização das informações aos visitantes. Hoje, segundo Maria Ivone, o negócio já paga as próprias contas, apesar da oscilação típica do setor de hospedagem.

“Eu não queria apenas receber hóspedes. Queria um lugar com propósito, que respeitasse a natureza, preservasse a mata, cuidasse das nascentes e oferecesse uma experiência única”, resume.

O primeiro lugar estadual na categoria MEI surpreendeu a empreendedora e reforçou a mensagem que ela pretende transmitir: projetos pequenos, quando combinam persistência, aprendizado e propósito, podem ganhar escala.

Queijo artesanal que virou profissão

Carla Helena Guerra Carvalho Gualano, 52, voltou ao Brasil depois de 15 anos na Itália, ao lado do marido, Antônio. A vivência com a gastronomia italiana e a percepção de mercado no Paraná deram origem à Sapori Italiani, especializada em queijos artesanais.

O primeiro passo foi regularizar a produção. O casal buscou orientação do IDR-Paraná, da Vigilância Sanitária e da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Semag). Depois, aproximou-se da Associação Caminho do Vinho para integrar a produção ao turismo rural.

“Regularizar era essencial para garantir segurança alimentar. Estar no Caminho do Vinho foi o passo para chegar ao público e vender melhor”, afirma Carla.

Carla Gualano venceu a categoria Produtora Rural e Artesã. Foto: Acervo pessoal.

A atividade, antes complementar, tornou-se a principal fonte de renda da família. Carla e Antônio deixaram as profissões anteriores para se dedicar à produção, ainda marcada pelo trabalho manual e pela dificuldade de formar mão de obra especializada.

Para crescer, a marca ampliou presença em feiras, eventos de turismo e espaços voltados a pequenos negócios. As premiações acumuladas ajudaram a dar visibilidade e abrir novos canais de venda.

“Hoje sabemos que vender mais exige estar em outros espaços. Feiras, eventos de turismo e redes de pequenos negócios são portas importantes para melhorar a renda”, diz.

A atividade também representa uma mudança na própria forma de enxergar a produção rural. Para Carla, o produtor deixou de estar restrito ao espaço da propriedade e passou a precisar compreender mercado, comunicação e posicionamento.

A trajetória também mudou a forma de ver a produção rural. Para Carla, o produtor precisa dominar mercado, comunicação e posicionamento, além de aprimorar a fabricação. A participação na criação da Associação dos Produtores de Queijos Artesanais do Paraná (Aproqueijo Paraná) fortaleceu essa articulação.

“O queijo é amor e dor ao mesmo tempo. Mas cada aprendizado nos fez melhores. Alimentamos famílias e fazemos parte de um trabalho coletivo, construído também pelas associações”, afirma.

De faxineira a CEO de uma indústria

Maritânia Aparecida Figueiredo, 49, construiu a própria trajetória dentro da empresa. Chegou ao Paraná aos 15 anos, começou como faxineira em uma fábrica de massas, passou pela produção, assumiu funções de liderança, formou-se em Administração e tornou-se sócia e CEO da Cristal Massas, de São José dos Pinhais.

Com três décadas de atuação, a indústria produz massas e pratos prontos para varejo e food service, como massas para pastel, nhoques, lasanhas, rondelli, panquecas e massas recheadas.

O crescimento trouxe um desafio central: transformar conhecimento concentrado nas pessoas em processos capazes de sustentar a expansão. Para Maritânia, aumentar vendas não bastava.

“Para crescer de forma sustentável, precisamos transformar experiência em processos, indicadores, planejamento, liderança e gestão profissional”, afirma.

Maritânia Figueiredo venceu o primeiro lugar na categoria Pequenos Negócios. Foto: Acervo pessoal.

A mudança envolveu também a própria forma de liderar. A empresária passou a trabalhar para que decisões e responsabilidades fossem distribuídas entre as equipes, reduzindo a dependência da gestão centralizada.

A mudança também alterou o modelo de liderança. A empresária passou a distribuir decisões e responsabilidades entre as equipes, reduzindo a dependência de uma gestão centralizada.

“A maior virada foi deixar de olhar apenas para o que a empresa é hoje e começar a administrar olhando para o que ela pode se tornar”, diz.

O prêmio também tem peso pessoal. Para Maritânia, a conquista representa a distância percorrida desde o início da vida profissional e a consolidação de uma liderança construída com estudo, experiência e persistência.

“Naquele palco, não estava apenas a empresária que sou hoje. Estava também a mulher que começou na limpeza, enfrentou dificuldades, estudou, assumiu responsabilidades, caiu, recomeçou e continuou acreditando que poderia construir algo maior”, afirma.

A meta da Cristal Massas é estar entre as duas maiores empresas do segmento no Paraná até 2028, com expansão comercial, fortalecimento do food service, entrada em novas regiões do Paraná e de Santa Catarina, desenvolvimento de produtos e ganho de eficiência operacional.

Trajetórias distintas, desafios parecidos

Embora atuem em setores diferentes, as três vencedoras têm pontos em comum: buscaram conhecimento, profissionalizaram processos, ampliaram canais de venda e passaram a olhar seus negócios com estratégia.

Para a consultora do Sebrae/PR Elaine Vidal, o resultado da Regional Leste mostra um movimento mais amplo de amadurecimento do empreendedorismo feminino. Segundo ela, a presença de empreendedoras da região entre as finalistas e vencedoras evidencia negócios cada vez mais estruturados, com propósito, capacidade de inovação e impacto econômico local.

“Essas trajetórias mostram que, quando a mulher encontra orientação, rede de apoio e acesso a oportunidades, ela deixa de apenas tocar o negócio e passa a geri-lo de forma estratégica. O prêmio reconhece resultados, mas também revela a força de uma rede que transforma conhecimento, conexões e coragem em empresas mais competitivas e sustentáveis”, afirma.

Além das três vencedoras de São José dos Pinhais, a Regional Leste teve outras três finalistas: Kathlyn Vieira Barbosa, em Negócios Internacionais; Clotilde Zai, em Produtora Rural e Artesã; e Fernanda Mello, em Pequenos Negócios. A presença de seis representantes entre as 25 finalistas reforça a abrangência da região na premiação.

No fim, o prêmio funciona menos como ponto de chegada e mais como retrato de caminhos em construção. No Rancho do Sena, uma ideia familiar ganhou estrutura e mercado. Na Sapori Italiani, o queijo artesanal virou profissão. Na Cristal Massas, a profissional que começou na limpeza chegou à liderança de uma indústria.

As histórias mostram que o desempenho regional foi resultado de decisões concretas: regularizar atividades, aprender gestão, melhorar processos, criar produtos, abrir mercados e transformar experiência em estratégia.

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