Da cooperativa às prateleiras dos supermercados e, na sequência, direto para as mãos do consumidor. O objetivo dos cooperados da Cores da Terra, formada por cerca de 100 produtores da agricultura familiar do Oeste do Paraná, era crescer e ganhar força para a expansão e, para isso, seria necessário lançar um produto que fizesse a diferença, causando impacto e conexão. A inovação pensada se materializou em um tereré portátil, sustentável e prático. O irmão gelado do chimarrão, agora em copo, pronto para consumo. Somente precisa acrescentar água.
A sede da cooperativa é em Cascavel, no Oeste do Paraná, com aproximadamente 60 cooperados. A empresa também atua em Palmas, no Sudoeste ondem somam mais 44, todos ligados à agricultura familiar e à produção orgânica. A Cores da Terra nasceu com foco na produção de hortaliças orgânicas, apostando na rentabilidade em pequenas áreas e na gestão profissional do campo.
Alexandre Dorigon, diretor-técnico da cooperativa, explica que o negócio carrega a essência da produção familiar, mas com foco na inovação.
“É importante lembrar, nós somos uma cooperativa de produtores orgânicos. Nós viemos da agricultura familiar, mas pensamos no lado empresarial da propriedade. O agricultor deseja e precisa lucrar e isso tem muito potencial no nosso modelo de produção”, afirma.

Tradição e foco no futuro
O lançamento do tereré marca uma novidade para a cooperativa. Mais do que um produto, ele representa uma estratégia de sucessão familiar e reposicionamento de marca. A proposta surgiu da necessidade de ampliar mercado diante de um plano mais amplo: levar tecnologia ao campo e aumentar a produtividade dos cooperados.
Foi nesse contexto que nasceu a ideia de criar um produto que abrisse portas, especialmente entre o público jovem, que fosse o pontapé inicial para os já produzidos desde 2019. O tereré (bebida gelada, à base de erva mate, tradicionalmente consumida no Centro-Oeste do país e no Paraguai), ganhou uma nova roupagem: embalagem portátil, biodegradável e pronta para o consumo.
“A gente precisava de um produto que trouxesse praticidade e inovação, sem perder a referência histórica. Hoje a vida é muito corrida. O jovem quer se sentir parte, quer mostrar que está ali. Esse projeto foi para abrir o nosso mercado, para mostrar nossa marca. É para dizer: nós existimos”, destaca o diretor Dorigon.

O tereré da Cores da Terra é orgânico e tem como base a erva-mate fornecida por um produtor cooperado e certificado. O processo envolve desde o fornecimento da matéria-prima até o envase, lacração e desenvolvimento do canudo, realizados pela cooperativa. Inicialmente, a comercialização foi concentrada na região Oeste do Paraná, mas o produto já começa a alcançar outros estados, como Mato Grosso e cidades do litoral de Santa Catarina, com um detalhe importante: a comercialização do produto começou em janeiro de 2026. Ou seja, são cerca de dois meses no mercado.
Entre os sabores disponíveis, estão as versões tradicionais e combinações com frutas, desenvolvidas para atrair novos consumidores e diversificar o público.
O produto começou a ser estruturado após um período de reorganização interna da cooperativa, que precisava se organizar financeiramente, pensando na expansão almejada. Foi nesse momento que entrou o apoio do Sebrae/PR.
Segundo o consultor do Sebrae/PR, Edson Braga, o trabalho começou antes da criação do novo produto.
“Auxiliamos a cooperativa em um momento de dificuldades em gestão. Trabalhamos juntos a precificação de produtos, aspectos financeiros, controles e organização”, explica o consultor.
O primeiro passo foi a reestruturação do modelo de gestão, com foco na organização financeira, gestão de pessoas e planejamento estratégico. Após essa base ser consolidada, a cooperativa passou a estudar alternativas para ampliar as vendas e o tereré surgiu como inovação e oportunidade.
O Sebrae/PR auxiliou na análise de custos, formação de preço, melhorias nas embalagens e na construção de uma tabela comercial para diferentes perfis de clientes, como grandes e médios mercados e distribuidoras. Também houve apoio na elaboração do planejamento comercial, contratação de representante com entrada em grandes redes e estruturação do marketing digital.
“Após a base, começamos a pensar em novas alternativas para aumentar as vendas. O Sebrae apontou melhorias nas embalagens, ajudou no cálculo do preço de custo e na definição de estratégias comerciais. A ação de marketing digital se mostrou fundamental para apresentar o produto ao mercado e gerar demanda espontânea em várias cidades do país”, afirma Braga.

Atualmente, a cooperativa conta com planejamento financeiro estruturado até 2027, acompanhado periodicamente pelo consultor, com monitoramento de resultados e ajustes estratégicos.
Inovação e mercado
O tereré cumpre papel estratégico: abrir mercado, fortalecer a marca Cores da Terra e criar novas oportunidades para os demais produtos orgânicos da cooperativa. Ao mesmo tempo, integra um projeto maior de modernização da produção no campo, com foco em tecnologia, redução de mão de obra e atração de jovens para a agricultura.

