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Ginseng de Querência do Norte recebe certificado de Indicação Geográfica do INPI

Reconhecimento como Denominação de Origem valoriza a produção local, protege o nome do produto e abre novas oportunidades de mercado
Por ASN Paraná
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O registro de Indicação Geográfica (IG) do Ginseng de Querência do Norte foi celebrado oficialmente nesta terça-feira (7), com a entrega do certificado do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A solenidade, realizada no Sindicato Rural do município, reuniu produtores e representantes das instituições parceiras envolvidas na conquista: Associação de Pequenos Agricultores de Ginseng de Querência do Norte (Aspag), Sebrae/PR, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Prefeitura de Querência do Norte, Conselho Municipal de Meio Ambiente, Sicredi, UEM e IFPR Umuarama.

O produtor Misael, sócio-presidente da: Associação de Pequenos Agricultores de Ginseng de Querência do Norte (Aspag), com o certificado de Indicação Geográfica para o Ginseng de Querência do Norte. Foto: Divulgação.

A IG foi concedida em maio deste ano e, no caso de Querência, é do tipo Denominação de Origem (DO), que valida que o produto possui qualidades decorrentes essencialmente do ambiente onde é produzido, incluindo solo, clima e o conhecimento dos produtores.

Segundo a consultora do Sebrae/PR, Narliane Martins, a cerimônia oficializou a conquista com o objetivo de agradecer e reconhecer o apoio das instituições parceiras.

“O momento foi importante também para destacar o valor sustentável da produção do ginseng e orientar os produtores sobre como utilizar a IG para agregar valor ao produto e acessar novos mercados, reforçando que este é um passo estratégico para o desenvolvimento regional”, avalia.

O produtor e sócio-presidente da Aspag, Misael Nobre, destaca que a conquista representa um marco histórico. A expectativa do produtor é que a notoriedade garantida pela IG desperte o interesse de novos compradores, nacionais e internacionais, oportunizando o aumento da área plantada e promovendo o crescimento econômico local.

“Desde que a IG foi concedida, em maio, já houve aumento do interesse acadêmico em realizar novos estudos sobre o nosso ginseng, negociação de parceria para a produção de extrato e investimento para novos equipamentos. Também fomos procurados para a realização de visitas técnicas e turísticas para conhecer a produção”, diz.

Para o prefeito do município, Alex Fernandes, o registro valoriza a produção local e diversifica a identidade econômica da cidade.

“O reconhecimento promete agregar valor ao produto, impulsionar a economia dos pequenos e médios produtores, incentivar a exportação e promover o potencial comercial da planta”, projeta. ´

O secretário municipal de Agricultura e Desenvolvimento Econômico de Querência do Norte, Jonatas Bernades Peripolli, reforça que o selo consolida o município como referência nacional na produção da planta, garante proteção jurídica ao nome do produto e agrega valor comercial, facilitando o acesso a mercados, inclusive no exterior. Além disso, conforme o secretário, a IG também fortalece a agricultura familiar, contribuindo para geração de renda, manutenção das famílias no campo e organização da cadeia produtiva.

“Outro efeito esperado é o aumento da visibilidade regional. O reconhecimento reforça a identidade, criando oportunidades ligadas ao turismo técnico, ambiental e à valorização de práticas agrícolas sustentáveis. Com a conquista, Querência do Norte passa a ter um produto oficialmente reconhecido por sua origem e qualidade, abrindo um novo capítulo para o desenvolvimento econômico local baseado em identidade, organização e sustentabilidade”, acrescenta.

Evento de entrega do certificado de Indicação Geográfica para o Ginseng de Querência do Norte. Foto: Divulgação.

Etapas para a conquista da IG 
A trajetória para buscar o reconhecimento do produto começou em 2019, com as adequações para protocolar o pedido da Indicação Geográfica.

As etapas incluíram o levantamento de dados, formação de comitê gestor, adequação do estatuto da associação, delimitação da área de produção, definição dos integrantes do conselho regulador e o desenvolvimento do signo distintivo do produto, com o nome Ginseng de Querência do Norte. Além disso, foi desenvolvido um caderno de especificações técnicas, o que está entre as exigências do INPI.

Sobre o Ginseng de Querência do Norte 
O ginseng brasileiro é da espécie Pfaffia glomerata, originária da Mata Atlântica, nativa em Querência do Norte e cultivada nas ilhas e várzeas banhadas pelo rio Paraná. A espécie tem até dois metros de altura, possui caule ereto, folhas com pecíolos, forma ovalada, e por se adaptar ao solo e clima da região, pode ser colhida a qualquer tempo sem perder a qualidade.

O plantio é realizado a partir da produção de mudas provenientes das sementes locais. A produção é feita na maioria por agricultores familiares de projeto de assentamentos de reforma agrária e pelo povo e comunidade tradicional dos ilhéus do rio Paraná.

Atualmente, Querência do Norte tem aproximadamente 30 hectares plantados pelos associados da Aspag e outros produtores. A produção anual de raízes de ginseng totaliza 300 toneladas do produto in natura, o que possibilita a produção de 60 toneladas por ano de raízes secas. De toda a produção, 95% é exportada para a França, China e Japão. Hoje, além da produção de raízes de ginseng rasurada, desidratada e em pó, produzem licor e sabonete.

Os resultados contribuem com a renda de cerca de 30 famílias, entre produtores e quem atua de forma indireta, com transporte, plantio, colheita, beneficiamento e serviços de escritório.

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