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Inovação Aberta: pequenos negócios registraram 1.247 “propostas” para grandes empresas

Em Curitiba, evento contou com 502 participantes de 14 estados com foco em soluções inovadoras
Por ASN Paraná
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A conexão direta entre quem tem um desafio e quem pode desenvolver soluções inovadoras marcou o Inovação Aberta, realizado pelo Sebrae/PR, em Curitiba. Seis grandes empresas disponibilizaram 48 desafios e receberam de startups e pequenos negócios, o total de 1.247 habilitações, que são intenções de propostas encaminhadas para solucionar desafios das demandantes, grandes empresas.

Evento reuniu 502 participantes de 14 estados. Fotos: Inove

Ao todo, seis grandes empresas participaram como demandantes, Herbarium, Volvo, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Tequaly, Cibra e Grupo MM, no encontro realizado nesta terça-feira (31), que contou com 502 participantes de 58 cidades e 14 estados brasileiros.

O evento realizado no Sebrae/PR, em Curitiba, trouxe como proposta aproximar grandes empresas e pequenos negócios, criando um ambiente de troca, apresentação de ideias e possíveis parcerias estratégicas a partir de demandas reais do mercado.

Para César Rissete, diretor-técnico do Sebrae/PR, o volume de propostas demonstra a capacidade dos pequenos negócios em propor soluções inovadoras.

“Quando colocamos empreendedores em contato direto com demandas reais, o resultado aparece. Foram mais de 1.200 propostas apresentadas, o que mostra não só o interesse, mas a capacidade de desenvolver soluções com potencial de aplicação prática, inovação e geração de negócios”, analisa Rissete.

César Rissete destacou a importância das conexões para gerar inovação. 

A programação foi estruturada para estimular a interação entre os participantes ao longo do dia, com apresentação dos desafios, momentos de troca e rodadas de conexão. Um dos formatos foi o Pitch Solucionadores por Adesão para apresentação de ideias e propostas. Também houve rodadas e a etapa de habilitação para solucionar desafios, quando os participantes acessaram um formulário por QR Code para enviar suas propostas.

O encontro do Programa Inovação Aberta Sebrae é resultado de um processo iniciado no ano passado, com a identificação de demandas reais do setor produtivo.

Entre os desafios apresentados estão temas como eficiência operacional, uso de dados e organização de processos internos. Na CSN, o gerente-geral de Operações, Vinicius Sant’Ana Pinto, destaca o uso de tecnologia como uma das frentes.

“Um dos desafios é o uso de dados por meio de inteligência artificial para tomada de decisão e melhoria da qualidade do produto. Hoje, temos uma taxa de sucesso não tão alta por conta da decisão humana”, afirma.

A empresa também busca soluções voltadas à cadeia produtiva, assim como a organização interna.

“Queremos desenvolver fornecedores locais para suprimentos da indústria, o que reduz custos logísticos e fortalece a economia da região. Temos muitas iniciativas, mas uma taxa de conclusão menor. A expectativa é trazer mais organização, com início, meio e fim”, destaca.

De acordo com Vinicius, o objetivo é transformar essas conexões em resultados aplicados.

“A expectativa prática é ter soluções que gerem redução de custo ou aumento de receita, com contratos fechados, soluções implantadas e ganhos efetivamente capturados”, completa o representante da CSN.

Na Volvo, a participação está relacionada à aproximação com o ecossistema de inovação. O head de Digitalização e Inovação da área industrial, Tiago Bonetto, destaca a importância dessa troca.

“As conexões já começaram a acontecer e a expectativa é ampliar as oportunidades de desenvolver projetos com empresas interessadas em inovação e tecnologia”, enfatiza.

Empresas e oportunidades

Para os pequenos negócios o encontro representa a possibilidade de apresentar soluções diretamente a grandes empresas e compreender melhor o mercado.

“A principal oportunidade é se conectar com grandes empresas, o que normalmente é mais difícil de acessar. Essa possibilidade pode ser um ponto de virada para muitos pequenos negócios”, afirma a fundadora da Mobius Design, Lauren Mobius, de Curitiba.

Ela ressalta o acesso a informações estratégicas. “A gente consegue ouvir problemas internos das empresas em primeira mão e entender melhor o contexto em que elas estão inseridas”, diz Lauren.

Lauren Mobius, da Mobius Design (Curitiba).

Já o representante da True Work, Rogério Ramos, de Pinhais, aponta que a dinâmica facilita a aproximação.

“A grande vantagem é que a empresa traz o problema e você pode se habilitar a resolver. Mesmo sendo uma scale-up, ainda temos dificuldade de acessar grandes empresas e entender suas demandas”, afirma.

Para Rogério Ramos, a possibilidade de geração de receita é um dos principais atrativos. “Eventos como esse ajudam diretamente na geração de negócios e na sustentabilidade das empresas”, destaca.

Rogério Ramos, da True Work (Pinhais).

Do Litoral, o proprietário da Perspicaz Tecnologias, Wankerson Rodrigues, de Paranaguá, destaca a diversidade de desafios apresentados.

“A gente veio de Paranaguá e encontrou desafios bem diferentes do que imaginava, com níveis de complexidade variados. Isso é muito positivo, porque abre espaço para empresas em diferentes estágios”, afirma.

Ele também ressalta o potencial de geração de conexões e negócios fora do mercado local.

“Muitas vezes parece algo distante, mas vemos que é possível participar, se conectar e desenvolver soluções para grandes empresas”, pondera Wankerson.

Rodrigues reforça a importância da aproximação entre empresas de diferentes portes.

“O principal é essa conexão entre pequenas, médias e grandes empresas, que abre oportunidades reais de negócio”, completa.

Wankerson Rodrigues, da Perspicaz Tecnologias (Paranaguá).

De Ponta Grossa, o sócio da Virtwell xR Systems, Maurício Zadra Pacheco, avalia que a participação em iniciativas de inovação aberta amplia o acesso de pequenos negócios a grandes empresas e favorece a troca de conhecimentos entre startups.

“Primeiramente, pelo contato com as grandes empresas demandantes. Por vias normais, seria muito difícil ter esse acesso, tanto às empresas quanto às suas dores. Em segundo plano, pelo contato com outras startups. A troca de experiências e competências proporciona um crescimento, tanto em nível técnico, quanto de negócios”, atesta Pacheco

Na prática, segundo ele, as conexões indicam potencial de desdobramentos. “Tanto com as demandantes quanto com outras startups que estavam participando do evento. Após o briefing inicial e as palestras com as demandas apresentadas, tivemos contato direto com duas empresas que potencialmente podem utilizar nossas soluções”, completa o empreendedor dos Campos Gerais.

Inovação presente

Um dos apoiadores do evento e também atuante no fomento à inovação é a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Rafael Wandrey, líder de startups da instituição, destaca que o Inovação Aberta reúne representantes de 15 unidades de todo o País, com participação de estados como Pará, Tocantins, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás, Paraíba, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

“Estamos aqui para mostrar como podemos apoiar pequenas e grandes empresas na superação de seus desafios tecnológicos”, explica.

Rafael Wandrey destacou o apoio do Embrapii na jornada inovadora.

Segundo Wandrey, projetos desenvolvidos por pequenos negócios podem contar com aporte financeiro da Embrapii e do Sebrae, que, em alguns casos, pode chegar a até 90% do valor total para o desenvolvimento da solução.

“A proposta é demonstrar que a Embrapii está à disposição dos empreendedores, oferecendo suporte na execução de projetos inovadores, seja com infraestrutura ou com profissionais especializados. Assim, as empresas não precisam se preocupar com infraestrutura, contratação ou gestão de equipes, podendo contar com nosso apoio ao longo de todo o processo”, completou. Para mais informações acesse: embrapii.org.br/sebrae

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