Nesta segunda-feira (09), a Fundação Araucária lançou em Londrina a primeira chamada pública em parceria com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A chamada faz parte de um programa de pesquisa colaborativa, que pretende aproximar pesquisadores de São Paulo e do Paraná nas áreas de AgroTechs e HealthTechs. O recurso total disponível nesta chamada é de R$ 400 mil. A Fundação Araucária financiará R$ 200 mil e a Fapesp os outros R$ 200 mil.
Participaram do evento dezenas de pesquisadores e representantes das universidades da cidade e da região, além de empresas, instituições públicas e privadas de Ciência, Tecnologia e Inovação e organizações interessadas.
O gerente da Regional Norte do Sebrae/PR, Fabricio Bianchi, destacou a importância desta primeira chamada pública para fomentar novas parcerias em prol da inovação. “Vemos que este edital veio para alavancar pesquisas que se somam, além de contribuir com o desenvolvimento de inovações em áreas tão importantes”, destacou.
Para o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, a parceria com a Fapesp deve ser mantida com novas chamadas públicas. “Essa parceria é excepcional. Além disso, foi importante lançar aqui em Londrina, sendo uma região que tem muita vinculação com o interior de São Paulo, e com as áreas de HealthTech e AgroTech, tão importantes hoje no país. Esta é a primeira de outras chamadas públicas para os próximos meses e anos”, reforçou.
Pesquisas de Alto nível
O edital é destinado a financiar a aproximação dos pesquisadores de institutos de pesquisa do Paraná com pesquisadores de São Paulo – e não a pesquisa em si, e com isso potencializar as suas áreas de atuação. O recurso poderá ser usado para custear despesas como passagens e hospedagens, por exemplo, para que somem esforços para a evolução das pesquisas. Além disso, os pesquisadores devem enviar a proposta em conjunto, de até R$ 100 mil.
De acordo com Márcio Spinosa, Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, as propostas submetidas serão avaliadas conforme os critérios específicos já disponíveis em edital. A ideia é selecionar pesquisas de alto nível e que contribuam com a criação de riqueza e bem-estar.
“As pesquisas são fatores-chave para o desenvolvimento. Temos uma demanda de produção de ciência, tecnologia, conhecimento e queremos mobilizar os pesquisadores em torno das demandas de interesse. Temos como condicionantes toda a questão de transformação digital e a responsabilidade com o desenvolvimento sustentável”.
O edital permanece aberto até 4 de abril de 2020 e pode ser acessado em https://www.fappr.pr.gov.br/arquivos/File/chamadas2019/2019_CP16_Fapesp.pdf.
Setores com destaque
Tanto o setor da saúde como do agronegócio vem se destacando em Londrina pela articulação em prol do desenvolvimento econômico da região, principalmente, a partir da inovação. A cidade é um polo de referência nacional em ambos os setores.
Para o presidente da governança Salus (Saúde Londrina União Setorial), Cristiano Teodoro, o objetivo do programa vai de encontro aos objetivos do trabalho que vem se desenvolvendo pelo setor da saúde na cidade. “Ter a área de HealthTech nesse edital é uma grande oportunidade para que sejam fomentadas e potencializadas as pesquisas na área. Vejo uma grande oportunidade para Londrina”, comenta.
George Hiraiwa, coordenador, coordenador da AgroValley – Governança do Agronegócio em Londrina, reforça a importância do edital. “Essa iniciativa tem tudo a ver com o momento que o agro vem passando hoje, estamos em uma fase de busca de oportunidades junto ao poder público, junto aos órgãos de pesquisa, além de fazer uma aproximação com o setor privado, então apoiamos totalmente”.
Polo de Inteligência Artificial
Durante o evento, também foi realizado uma vídeo conferência em que a FAPESP divulgou o edital em parceria com o MCTIC (Ministério de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), e o CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil) para fomentar a criação de Centros de Pesquisas Aplicadas em Inteligência Artificial. Cada proposta poder ter o valor de até R$ 1 milhão, de deve contar com uma contrapartida de R$ 1 milhão por parte de uma empresa parceira.
Na opinião do ex-deputado, Alex Canziani, o edital é uma oportunidade para Londrina direcionar esforços para um dos centros de Inteligência Artificial que já está em planejamento para a cidade. A ideia é que diversas instituições de ensino, pesquisa e inovação, em conjunto, enviem a proposta para o edital. “Estamos trabalhando em um grande projeto para que possamos ter um grande Centro de Inteligência Artificial voltado para o Agro aqui na cidade. Este centro será um grande diferencial para o Paraná, para o Brasil e até mesmo internacionalmente. Temos potencial para transformar a nossa região em uma referência internacional em termos de Inteligência Artificial”, comenta Canziani.
R$ 1 milhão para Unidade de IA da Embrapii em Londrina
Também durante o evento, o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, assinou o ofício em que a fundação reafirma o compromisso do aporte de R$ 1 milhão para viabilizar na cidade uma Unidade de Inteligência Artificial da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial).
O aporte da Fundação Araucária para a unidade é um passo importante. Para que o projeto seja viabilizado, são necessários R$ 4 milhões, sendo que outros R$ 2 milhões devem ser viabilizados por parte do Senai e R$ 1 milhão por meio de emendas parlamentares propostas pela deputada Luiza Canziani.
“Nós apoiamos a iniciativa do Senai Londrina de transformar-se em um Polo Embrapii de desenvolvimento na área de Inteligência Artificial. Tínhamos este compromisso de aportar R$ 1 milhão, que foi celebrado hoje”, comentou o presidente da Fundação, reforçando que o aporte já está autorizado pelo governo do Estado.
A unidade será a primeira do Brasil com foco em Inteligência Artificial. A cidade de Londrina já conta com o Hub de Inteligência Artificial do Senai, inaugurado em 2019 e que vem desenvolvendo projetos na área para diversas empresas do Brasil. De acordo com o gerente do Hub, Felipe Couto, a nova unidade Embrapii será uma soma importante.
“É uma forma do ecossistema local se projetar nacionalmente com o mais alto nível de qualificação e interação entre o instituto – enquanto unidade Embrapii, e as empresas espalhadas por todo Brasil”.
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