Mais de 200 pessoas com o mesmo propósito: mapear gargalos da automação e manutenção de máquinas na região Oeste do Paraná, além de conectar a Indústria 4.0 aplicada às máquinas e equipamentos com as cadeias produtivas do agro e da agroindústria regional, aumentando assim a competitividade e a produtividade do setor.
O Fórum CTMAQ (Câmara Técnica de Máquinas e Equipamentos), realizado nos dias 18 e 19 de junho, no Biopark, em Toledo, reuniu a governança de instituições que compõem a Câmara Técnica com a proposta de transformar desafios comuns em projetos colaborativos capazes de impulsionar o desenvolvimento tecnológico e econômico regional, tendo como base a Indústria 4.0 na região.

Segundo o consultor do Sebrae/PR, Edson Braga, o encontro foi planejado para aproximar os diferentes atores do ecossistema de inovação e alinhar as demandas da indústria com as ações da Câmara Técnica.
“O objetivo foi reunir empresas, indústrias do setor metalmecânico, agroindústrias, academia, por meio de alunos e professores, e instituições para mapear o cenário atual da automação e manutenção de máquinas na região Oeste, alinhar a agenda da Câmara Técnica às demandas reais das indústrias, conectar a Indústria 4.0 aplicada a máquinas e equipamentos com as cadeias produtivas do agro e da agroindústria e gerar projetos colaborativos para aumentar a competitividade e a produtividade do setor”, destaca Braga.
Ao longo dos dois dias de programação, 220 participantes e aproximadamente 30 indústrias de diferentes municípios do Oeste do Paraná participaram de palestras, painéis e debates voltados à automação, robótica, gestão da inovação e transformação digital.
Para Renato Lima Senra, pesquisador do Biopark Educação, um dos principais resultados do trabalho desenvolvido pela CTMAQ está na aproximação entre o conhecimento gerado pelas instituições de ensino e as necessidades da indústria.
“A CTMAQ identificou que mais de 90% das demandas e desafios que as empresas e indústrias do Oeste do Paraná possuem têm soluções dentro das próprias instituições da região. A aproximação desses atores permite transformar conhecimento em aplicações práticas, acelerar o desenvolvimento tecnológico, formar profissionais mais alinhados às demandas industriais e ampliar a capacidade de inovação regional”, informa Renato.
A integração entre empresas, universidades e poder público é uma das principais estratégias adotadas pela Câmara Técnica para fortalecer a competitividade regional. O modelo busca aproveitar as competências já existentes no Oeste do Paraná para acelerar a adoção de tecnologias e fomentar novos negócios.
O presidente do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), Alci Rotta Junior, destaca que a CTMAQ tem papel estratégico para consolidar o setor metalmecânico como um dos motores da economia regional.
“O POD atua como articulador estratégico, apoiando a CTMAQ para consolidar a indústria metalmecânica como impulsionadora da competitividade regional. Por meio de eventos como o Fórum CTMAQ, conectamos líderes da indústria a especialistas e tecnologias de ponta, transformando nossa visão de desenvolvimento regional em ações práticas para o presente e o futuro da indústria”, ressalta o presidente.

Desafios reais
Além da troca de conhecimento técnico, o Fórum também serviu para identificar os principais desafios enfrentados pelas empresas do setor. Entre eles estão a necessidade de ampliar a qualificação profissional, acelerar a adoção de novas tecnologias e aumentar a competitividade diante das transformações do mercado.
Adair Schumacher, coordenador da CTMAQ, reforça que o evento cumpriu com o principal objetivo, que é conectar diferentes entidades que buscam soluções viáveis para serem empregadas.
“A região Oeste já é destaque no Paraná no setor, porém ainda existe a necessidade de nos conectarmos e foi a proposta desse evento. Colocar empresários, cooperativas, em conversa com as universidades, por exemplo, talvez ali mesmo já encontrem soluções necessárias para os desafios que enfrentam no dia a dia. Nossa proposta era de levar conhecimento e propor conexões de forma ampla”, conta o coordenador.

A empresária Juliana Helena Bandeira Bottega, sócia-proprietária de Indústria e Comércio de Equipamentos Agrícolas, participou do encontro e destacou a importância do networking e da troca de experiências proporcionados pelo evento.
“A troca de experiências e a possibilidade de comparar as realidades de cada empresa, além do networking com os participantes, são muito importantes. Também precisamos de profissionais capacitados para desenvolver projetos e colocá-los em prática nas empresas, além de mais incentivos para o setor”, diz a empresária Juliana.
O conhecimento adquirido no Fórum foi o destaque para a gerente financeira e RH Elisangela Costa Barbosa Rodrigues.
“O Fórum abre novas possibilidades, faz a gente enxergar fora da caixa. Conseguimos ver o que está acontecendo no mundo, de uma forma mais direcionada. Quando acontece um evento assim, fica claro o que você realmente precisa. Nós somos um setor que cresce, mas muitas vezes nos travamos em tecnologia e acesso aos recursos financeiros. Precisamos de mais incentivo, porém apoios fazem a diferença para essa expansão”, concluir Elisângela.
Futuro
Para o segundo semestre de 2026, a CTMAQ prepara um planejamento, com foco na aproximação entre universidades e empresas, no desenvolvimento de projetos prioritários e na busca por recursos para iniciativas voltadas à inovação e à transformação digital da indústria regional.
A expectativa da governança é consolidar o Oeste do Paraná como referência nacional em máquinas e equipamentos voltados ao agronegócio, fortalecendo a integração entre indústria, academia e instituições de apoio para acelerar o desenvolvimento tecnológico da região.
A Câmara Técnica é formada pelas seguintes entidades: Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), Sebrae/PR, Fiep/Senai, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Associação Comercial e Empresarial de Marechal Cândido Rondon (Acimacar), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Associação Comercial e Empresarial de Toledo (ACIT), Biopark, Hub de Inovação (AcicLabs), Instituto Federal do Paraná (IFPR), Itaipu/Parquetec.
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