
O Café do Jacutinga, produzido no Jacutinga, distrito de Ivaiporã, no Vale do Ivaí, deu um passo no processo de valorização e reconhecimento oficial. Produtores locais, em parceria com o Sebrae/PR, Prefeitura de Ivaiporã e Associação de Agricultura Familiar de Jacutinga (AAFJ), protocolaram em dezembro de 2025, junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o pedido de registro da marca coletiva “Café do Jacutinga”.
De acordo com a consultora do Sebrae/PR, Joelma Barbosa, o protocolo da marca coletiva foi a estratégia adotada enquanto a região trabalha em requisitos técnicos para, futuramente, solicitar o selo de Indicação Geográfica (IG). “A marca coletiva garante proteção ao nome, fortalece a identidade do produto e organiza o uso da marca pelos produtores da região, enquanto o processo da IG continua sendo estruturado por meio do trabalho de todos os parceiros do projeto”, explica Joelma.

Cinquenta cafeicultores fazem parte da Associação de Agricultura Familiar de Jacutinga (AAFJ) que juntos produziram 40 mil sacas do grão no ano passado, sendo 10% da produção de cafés especiais.
“O Jacutinga e todo o Vale do Ivaí têm características de solo e microclima únicos com altitude média de 760 metros. Isso confere ao café um sabor frutado e acidez característica. O objetivo com a marca coletiva é incentivar os produtores a investirem na cultura dos cafés especiais e colaborarem para o reconhecimento legal e institucional. O que já é produzido aqui tem uma qualidade excepcional e temos potencial de crescer no universo dos cafés especiais”, ressalta o produtor e degustador oficial da AAFJ, Lucas Rafael Ravar. A Associação possui um laboratório próprio de provas para garantir a qualidade do café produzido na região.

Lucas é filho de Arcindo Ravar Filho, cafeicultor presidente da associação. “Produzimos o Arábica e comercializamos como cereja natural para atender ao mercado que busca um café com corpo denso e notas frutadas”, detalha Lucas.
A consultora do Sebrae/PR lembra que o Vale do Ivaí, onde está localizado o distrito de Jacutinga, assim como todo o Norte do Paraná, já foi uma região mundialmente conhecida pelo volume da produção cafeicultora e que hoje se destaca pela qualidade da produção dos cafés especiais. “O Café de Mandaguari e o Café da Serra de Apucarana conquistaram há menos de um ano suas IGs. Estamos trabalhando para que o do Jacutinga siga pelo mesmo caminho de reconhecimento”, ressalta.
Cafeicultura é tradição regional

A estruturação da marca e da identidade geográfica teve início em 2018, mas as bases do trabalho são conhecidas pela comunidade desde o começo do plantio do café na região, na década de 1950.
No entanto, a consultora do Sebrae/PR pontua que para esta nova fase da produção da região, o Sebrae/PR trabalha, junto com os parceiros, na formação de um grupo de 15 cafeicultores com foco em qualidade e capacitação técnica para atender aos mais altos padrões do mercado.
“A participação e reconhecimento em concursos estaduais e nacionais dos cafés produzidos no Jacutinga também foram importantes para incentivar e mostrar aos produtores sobre a importância da profissionalização do processo”, reforça Joelma.
Incentivo municipal

Além do trabalho em parceria com o Sebrae/PR pela obtenção do registro da marca coletiva e apoio técnico às famílias produtoras de café, a Prefeitura de Ivaiporã também realiza o fortalecimento da cafeicultura por meio da distribuição de mudas enxertadas com variedades selecionadas para cultivo de café de alta qualidade. Para isso, o município conta com o chamado “Viveiro de Café”.
De acordo com a Secretaria Municipal de Agricultura, desde 2024, mais de 100 mil mudas já foram distribuídas gratuitamente para produtores da agricultura familiar com o objetivo de impulsionar a produção e promover o desenvolvimento econômico do território.
Agricultura familiar no Jacutinga
Fundada em 2012, a Associação da Agricultura Familiar de Jacutinga (AAFJ) é formada por 106 famílias de produtores rurais. Dessas, 50 investem na cafeicultura e são responsáveis por 90% da produção de café na região de Ivaiporã.
Outro diferencial importante, segundo o cafeicultor e presidente da AAFJ, Arcindo Ravar Filho, é a organização e modernização das lavouras, que produzem artesanalmente os grãos do tipo Arábica em uma área aproximada de 1,8 mil hectares.
Encorpado e Aromático
O Café do Jacutinga é conhecido por sua qualidade e sabor marcante. Os grãos são cultivados em condições favoráveis para produzir uma bebida aromática e encorpada.
Segundo Lucas Rafael Ravar, a região de Jacutinga cultiva diferentes variedades de café Arábica. Cada tipo de grão contribui com características específicas, o que garante opções para diferentes paladares e preferências.
A principal variedade é o café Sumatra, que apresenta bom corpo, gosto doce, baixa acidez e notas sensoriais que lembram especiarias.
A produção do café ocorre em área limítrofe em latitude, por pequenos produtores que guardam a tradição familiar do saber fazer ao longo do tempo e tem um cuidar dedicado. A colheita é realizada majoritariamente de maneira seletiva e manual, conhecida como colheita “no pano”, em que o grão de café não tem contato com o chão.
