O ginseng de Querência do Norte tem o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Denominação de Origem, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A conquista, divulgada nesta terça-feira (05) é fruto de um trabalho coletivo entre a Associação de Pequenos Agricultores de Ginseng de Querência do Norte (Aspag), Sebrae/PR, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Prefeitura de Querência do Norte, Sicredi, UEM e IFPR Umuarama. Com o ginseng, o Paraná chega a 25ª IG e lidera no Brasil.
Além de valorizar as tradições locais, o reconhecimento fortalece a identidade do produto, melhora sua inserção no mercado e contribui para o desenvolvimento da região. No caso de Querência do Norte, a IG é do tipo Denominação de Origem (DO), que certifica que as qualidades do produto decorrem essencialmente do ambiente onde é produzido, incluindo solo, clima e o conhecimento dos produtores.

De acordo com o produtor e sócio-presidente da Aspag, Misael Nobre, o ginseng de Querência do Norte é produzido de forma sustentável, em condições naturais ideais de solo e clima que conferem ao produto um terroir único. “Com a IG, a expectativa é de que nosso ginseng tenha maior notoriedade nacional e mundial, atraindo novos compradores e mercados”, projeta.
Nesta semana, inclusive, a associação está preparando um novo lote de exportação para a França, somando mais 1,2 toneladas que vão para indústria cosmética. Desde 2015, os produtores vendem também na China e Japão, principalmente para o segmento medicinal no Oriente. Segundo a consultora do Sebrae/PR, Narliane Martins, a IG agrega ainda mais valor para o produto, promovendo o desenvolvimento da região.
“Temos instituições comprometidas em apoiar o trabalho feito pela conquista da Indicação Geográfica, e que vão continuar dedicando esforços de forma colaborativa para desenvolvermos cada vez mais a cadeia do produto na região”, pontua.

O secretário municipal de Agricultura e Desenvolvimento Econômico de Querência do Norte, André Melão, reforça que a IG comprova que os diferenciais do ginseng decorrem do solo, do clima e do conhecimento técnico dos produtores locais, assegurando que apenas o produto originário do município utilize essa denominação.
“A IG valorizará economicamente o ginseng, aumentará sua credibilidade no mercado, possibilitará melhores preços, ampliará o acesso a novos mercados e fortalecerá a economia local. Além disso, irá estimular a organização da cadeia produtiva, gerando empregos, incentivando investimentos e consolidando Querência do Norte como referência nacional na produção de ginseng”, avalia André.

O trabalho para a conquista da IG
A trajetória para buscar o reconhecimento do produto começou em 2019, com as adequações para protocolar o pedido da Indicação Geográfica. Um dos critérios para a conquista é provar sua qualidade. Para isso, foi realizada a coleta da mesma variedade de ginseng plantada em outro estado para comparação com o produto de Querência do Norte.
Segundo Misael, quanto maior o tempo de plantio, maior é a concentração de beta-ecdisona, o princípio ativo da planta.
“Com apenas um ano e meio de plantio, em relação à amostra coletada em outro estado, o nosso produto apresentou o dobro da substância, que é o que propicia os benefícios oferecidos pela planta”, relata.
As etapas incluíram ainda o levantamento de dados, formação de comitê gestor, adequação do estatuto da associação e o desenvolvimento do signo distintivo do produto, com o nome Ginseng de Querência do Norte. Além disso, foi desenvolvido um caderno de especificações técnicas, o que está entre as exigências do INPI.
“A conquista da Denominação de Origem para o ginseng de Querência do Norte é um marco que eleva o patamar da nossa produção. Uma Indicação Geográfica não é apenas um selo, é uma ferramenta poderosa de diferenciação de mercado. Ela garante ao consumidor a autenticidade e a qualidade vinculada ao nosso território, permitindo que o produtor rural paranaense capture mais valor e acesse mercados globais que exigem rastreabilidade e tradição”, aponta, Natalino Avance de Souza, diretor-presidente do IDR-Paraná.
De acordo com a consultora do Sebrae/PR, os produtores receberam auxílio para a criação de logomarca e rótulo novos. “Incentivamos também a participação em eventos, feiras e missões técnicas”, destaca Narliane.

Ginseng de Querência do Norte
O ginseng é da espécie Pfaffia glomerata, originária da Mata Atlântica, nativa em Querência do Norte e cultivada nas ilhas e várzeas banhadas pelo rio Paraná. A espécie tem até dois metros de altura, possui caule ereto, folhas com pecíolos, forma ovalada, e por se adaptar ao solo e clima da região pode ser colhida a qualquer tempo sem perder a qualidade.
De acordo com Misael, o plantio é realizado a partir da produção de mudas provenientes das sementes locais. A produção é feita na maioria por agricultores familiares de projeto de assentamentos de reforma agrária, pelo povo e comunidade tradicional dos ilhéus do rio Paraná.
Atualmente, Querência do Norte tem aproximadamente 30 hectares plantados pelos associados da Aspag e outros produtores. Conforme a Aspag, os produtores têm conseguido realizar a colheita e a venda da parte aérea do ginseng, que são os talos, folhas e flores, o que só foi possível após estudos científicos comprovarem que a parte aérea tem princípios ativos tanto quanto as raízes.
“A produção anual de raízes de ginseng totaliza 300 toneladas do produto in natura, o que possibilita a produção de 60 toneladas por ano de raízes secas. De toda a produção, 95% é exportada para a França, China e Japão, para fins medicinais e cosméticos. A tendência é aumentar as vendas para outros países. Hoje, além da produção de raízes de ginseng rasurada, desidratada e em pó, produzimos licor e sabonete”, relata Misael.
Os resultados contribuem com a renda de cerca de 30 famílias, entre produtores e quem atua de forma indireta, com transporte, plantio, colheita, beneficiamento e serviços de escritório.

Benefícios
O ginseng é apontado com propriedades estimulantes e revitalizantes, com benefícios como diminuição do estresse, fadiga e melhora da memória, sendo utilizado também para fins cosméticos. É considerado também um energético natural, proporciona o fortalecimento dos músculos do coração, melhor irrigação de sangue pelas veias, é um fortificante dos músculos e ossos, retarda o envelhecimento, melhora a imunidade, é anti-inflamatório, antioxidante, analgésico, antialérgico, cicatrizante, antidiabético, ansiolítico, hidratante, protetor gástrico, entre outros.
Indicações Geográficas no Paraná
Além do ginseng, são Indicações Geográficas as ostras do Cabaraquara, ponkan de Cerro Azul, broas de centeio de Curitiba, cracóvia de Prudentópolis, carne de onça de Curitiba, café de Mandaguari, urucum de Paranacity, queijo colonial do Sudoeste do Paraná, cafés especiais do Norte Pioneiro, morango do Norte Pioneiro, goiaba de Carlópolis, mel de Ortigueira, queijos coloniais de Witmarsum, cachaça e aguardente de Morretes, melado de Capanema, vinhos de Bituruna, mel do Oeste do Paraná, barreado do Litoral do Paraná, bala de banana de Antonina, erva-mate São Matheus, camomila de Mandirituba, uvas finas de Marialva, tortas de Carambeí e café da Serra de Apucarana.
Além delas, há ainda o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, Indicação Geográfica concedida a Santa Catarina que envolve municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul.
Em andamento
Seis produtos do Paraná têm pedidos depositados e em análise no INPI: acerola de Pérola; pão no bafo de Palmeira; cervejas artesanais de Guarapuava; mel de Capanema; couro de peixe de Pontal do Paraná e cambira prato típico de Pontal do Paraná.
