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Couro de peixe de Pontal do Paraná é a mais nova Indicação Geográfica brasileira

Produto é o 26º reconhecido no Estado, possui características inovadoras e sustentáveis
Por Eduardo Pereira
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Da transformação de resíduos da pesca artesanal em um produto sustentável e de valor agregado nasceu o reconhecimento nacional para o couro de peixe de Pontal do Paraná. A prática, que alia reaproveitamento consciente, geração de renda e identidade territorial, levou o produto a conquistar, nesta terça-feira (12), o registro de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Hoje, são 16 produtores com atuação direta e o benefício indireto alcança cerca de 30 famílias, com seus insumos voltados para indústrias de calçados, designers com a aplicação em móveis, estilistas para uso em bolsas, além de usos no artesanato em brincos, colares, chaveiros, por exemplo.

Produtoras da associação atuam tanto na confecção de itens quanto na venda para a indústria. Fotos: Inove.

O pedido foi depositado em outubro de 2025. A mobilização é resultado da união dos esforços da Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP), Sebrae/PR, Prefeitura Municipal de Pontal do Paraná, Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), o Conselho Municipal de Turismo, e a Universidade Estadual do Paraná (Unespar), com trabalho iniciado pela professora Kátia Kalko Schwarz. O início de toda a história vem de 2008, quando o projeto com o couro foi criado por meio do programa Universidade Sem Fronteiras.

A conquista é na modalidade de Indicação de Procedência, quando a região se torna conhecida como centro de produção do determinado produto, com relação direta à reputação e tradição dos produtores caiçaras, como é o caso das 16 espécies de peixes que estão sendo reconhecidas pelo processo de transformação da matéria-prima com finalidade sustentável e geradora de renda.

Já a busca pela IG teve início em 2023, com a estruturação da associação, capacitações para qualificar a cadeia produtiva e a formatação do caderno de especificações. A consultora do Sebrae/PR, Aline Geani Barbosa dos Santos, aponta que o reconhecimento valida que o produto local une saberes tradicionais, inovação social, práticas sustentáveis e estratégias de inserção em novos mercados.

“O reconhecimento vem para fortalecer todos os envolvidos na cadeia produtiva local. Ela estimula a governança e abre novas oportunidades comerciais, ao posicionar o couro de peixe como um produto inovador, sustentável e com forte apelo de origem, contribuindo também para o desenvolvimento econômico, social e turístico do território”, afirmou Aline. O Sebrae/PR atuou no trabalho de estruturação para a busca e conquista da IG, fortalecimento do processo associativo e também já oportunizou a participação das artesãs em eventos de mercado.

O caderno de especificações apresenta todo o processo e os cuidados necessários, passando desde a aquisição, limpeza da pele e congelamento, chegando até o fim do processo com a secagem, tingimento, amaciamento e comercialização do couro.

São produzidos diferentes itens, como brincos.

A presidente da associação, Ana Maria de Oliveira Ferreira de Almeida, conta que são 16 membros e que a expectativa é de que esse ano seja realizado o curtimento de 600 quilos das peças pelo grupo.

“Acredito que a IG vai nos dar mais visibilidade e reconhecimento do nosso trabalho. Isso fortalece a geração de renda na nossa comunidade, assim como a cultura, artesanato e o saber fazer. Vamos fortalecer também o nosso grupo trazendo e agregando mais pessoas. É muito importante, é mais uma prova de que Pontal do Paraná é reconhecida por ser um centro produtor de Couro de Peixe e de que este trabalho foi feito por muitas pessoas ao longo dos anos aqui no município”, disse.

Entre as espécies indicadas no Caderno de Especificações estão peixes de água salgada ou doce que originam o couro, como o linguado-abaxial, robalo flecha, robalo peva, parú, corvina, pescada amarela, miraguaia, tainha, prejereba, peixe porco, cavala, salmão e tilápia.

As peles são limpas manualmente, com a retirada de carne e gordura antes de passar pelo processo de curtimento, o processo de tratamento de peles de animais para transformá-las em couro. Esse processo estabiliza a estrutura das proteínas na pele, tornando-a resistente à decomposição e adequada para uma ampla gama de aplicações.

Cada artesão tem seu próprio modo de comercialização, sejam plataformas digitais ou espaços presenciais, além da presença em eventos e feiras nacionais alcançadas por meio de editais públicos.

Entre as peças do catálogo estão itens como bolsas, chaveiro, colares, cadernetas. Os materiais já ganharam outros continentes, alcançando países como Alemanha, França e Portugal.

“Essa conquista reconhece algo que é muito peculiar do nosso município e que tem a nossa identidade. É um projeto que ganhou força através do olhar e da dedicação das pessoas que acreditam na nossa cultura, no artesanato e no potencial da nossa cidade. Esse selo ajuda a valorizar ainda mais esse trabalho, gerar oportunidades e levar o nome de Pontal do Paraná para cada vez mais lugares”, destacou o prefeito de Pontal do Paraná, Rudisney Gimenes Filho.

Na foto, Ana Almeida (esq.), presidente da associalção, e a artesã Marcia Regina Balcesack Jimenes.
Indicação Geográfica

Hoje, o Paraná conta com 26 Indicações Geográficas e é o estado brasileiro com o maior número. Apenas em 2026, já foram quatro reconhecimentos conquistados, com o couro de peixe de Pontal do Paraná, o ginseng de Querência do Norte, o Café da Serra de Apucarana e as tortas de Carambeí.

Em 2025, foram oito novas IG no Paraná, como as ostras do Cabaraquara; ponkan de Cerro Azul; broas de centeio de Curitiba; cracóvia de Prudentópolis; carne de onça de Curitiba; café de Mandaguari; urucum de Paranacity e queijo colonial do Sudoeste do Paraná.

Também possuem selo de IG: mel de Ortigueira; queijos coloniais de Witmarsum; cachaça e aguardente de Morretes; melado de Capanema; vinhos de Bituruna; mel do Oeste do Paraná; barreado do Litoral do Paraná; bala de banana de Antonina; erva-mate São Matheus; camomila de Mandirituba; uvas finas de Marialva; cafés especiais do Norte Pioneiro; morango do Norte Pioneiro e a goiaba de Carlópolis.

Há ainda o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, IG concedida a Santa Catarina que envolve municípios do Paraná e Rio Grande do Sul.

Couro é retirado da pele de peixe marinho e de água doce.
Em andamento

Cinco produtos do Paraná têm pedidos depositados e em análise no INPI: acerola de Pérola; pão no bafo de Palmeira; cervejas artesanais de Guarapuava; mel de Capanema; e cambira prato típico de Pontal do Paraná.

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