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Em Londrina, setor de químicos e materiais abordou a eficiência sustentável

Entre os desafios apresentados no 7º IntegraQM, a formação de novos profissionais e a utilização de materiais sem origem fóssil como vantagem competitiva do Brasil
Por ASN Paraná
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Sétima edição do IntegraQM foi realizado nesta terça-feira (9), em Londrina. Fotos: Thomé Lopes

A 7ª edição do IntegraQM reuniu 380 empresários, pesquisadores e estudantes do setor de Químicos e de Materiais nesta terça-feira (9) no Centro de Eventos do Aurora Shopping. Com o tema “Ciência que conecta, inovação que transforma”, o evento foi organizado pela Governança Integra Químico e Materiais (IntegraQM), Sebrae/PR e Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Norte do Paraná (Sinquifar NP) com apoio institucional do ecossistema de inovação Estação 43.

“O IntegraQM é um momento de conexão e fortalecimento da própria economia de Londrina e da região. Afinal, diferentes atividades como o agro, a construção civil, a saúde e a indústria de alimentos se relacionam diretamente com químicos e materiais”, destaca o consultor do Sebrae/PR, Everton Perussi.

Atualmente existem 789 empresas que geram 9.387 empregos e receita de R$2,8 bilhões de Valor Adicionado Fiscal (VAF) nas cidades de Londrina, Cambé, Rolândia, Arapongas, Ibiporã, Bela Vista do Paraíso e Sertanópolis. Os dados são da Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná e foram apresentados pela Governança. no evento. No Brasil, o setor é responsável por 10% do PIB industrial e 2 milhões de empregos no País, com o segundo maior salário médio da indústria de transformação.

Entretanto, o crescimento e a relevância econômica do segmento trazem um desafio cada vez mais evidente: a formação de profissionais qualificados para atender à demanda da indústria. Segundo a vice-presidente do IntegraQM, gerente técnica e química responsável pela Hydronorth, Mayra Weddja de Souza, o número de pessoas formadas em cursos ligados à área tem diminuído em todo o País.

“É comum, em todo o Brasil, que cursos ligados à indústria química formem cada vez menos pessoas. A Governança tem essa missão de divulgar e fortalecer o setor e, também, trabalhar para que a gente mantenha e abra novos cursos para formar profissionais qualificados. O setor e a economia precisam disso”, pontua Mayra.

Evento reuniu empresários, pesquisadores e estudantes para discutir sustentabilidade e alternativas para setor de químicos e materiais.

Dos 380 participantes da 7ª edição do IntegraQM, 20% eram de estudantes. Entre eles, Danilo Ventura, estudante do curso de Engenharia Química da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

“Esta é a primeira vez que eu venho. Achei interessante porque as palestras e os painéis abordaram temas que ajudam a gente a entender melhor o mercado de trabalho e os desafios que vamos enfrentar em breve”, afirma.

Técnico de operações na Iguaçu Café (IGC), João Rafael também é estreante no evento. Morador de Cornélio Procópio, no Norte do Estado, ele conta que ficou sabendo sobre o IntegraQM pelo Instagram.

“Fiquei interessado pelos temas. É uma novidade para mim participar de palestras como essas, mas estou aprendendo bastante. Já anotei algumas coisas que eu quero estudar mais para me ajudar na minha vida profissional”, relata.

Competitividade sustentável

Presidente executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, ressaltou desafios e vantagens competitivas para o crescimento da indústria brasileira até 2050.

Na discussão sobre o futuro do setor de Químicos e Materiais, o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro, falou sobre “A Química como Força de Transformação: Inovação e Competitividade para o Brasil Sustentável”.

Ao longo da palestra, a liderança reforçou a eficiência da indústria química brasileira que utiliza 82,9% de fontes renováveis e ocupa a 6ª colocação entre as maiores indústrias químicas do mundo.

“O Brasil, e o Ocidente em geral, tem um grande desafio que é encadear toda a estrutura de gestão, produção e políticas regulatórias para ser cada vez mais eficiente e competitiva. A China já tem esse encadeamento total, o que explica os resultados alcançados atualmente”, pondera.

De acordo com o ranking mundial da indústria química, o faturamento líquido da indústria chinesa em 2023 foi de U$2.082 bilhões, enquanto Estados Unidos, Alemanha e Brasil registraram U$634, U$200 e U$130 bilhões, respectivamente.

“A indústria química tem potencial multiplicador da economia já que diferentes setores dependem da tecnologia de químicos e materiais para produzir e, também, serem competitivos. O objetivo do Brasil é reduzir a dependência fóssil até 2050 já que a nossa aposta é que o mundo vá ‘premiar’ as alternativas mais sustentáveis e economicamente viáveis. A China entende que isso vai levar pelo menos mais 20 anos, então, podemos ter uma vantagem competitiva importante”, diz.

Para atingir o objetivo, André Passos Cordeiro explica que a Abiquim trabalha continuamente por políticas públicas regulatórias para que a indústria nacional caminhe na mesma direção.

“Ou sobreviveremos todos juntos ou morreremos todos juntos. Não existe alternativa”, decreta.

Novos materiais

Pensando no desafio de reduzir a dependência fóssil da indústria química, o IntegraQM trouxe em sua programação o painel “Novos materiais, novas oportunidades” com a participação do pesquisador na Klabin S.A, Willian Santos, e os professores da UTFPR Márcio Florian e Luis Fernando Cabeça.

Entre os cases apresentados pelo pesquisador está o uso da celulose microfibrilada (MFC) em cosméticos.

“Na pandemia, o mercado enfrentou a falta de carbômero, um agente espessante responsável por transformar o álcool líquido na consistência de gel. Por conta disso, desenvolvemos a MFC para a mesma finalidade e percebemos que poderia ter uso, também, em produtos cosméticos. Hoje a celulose microfibrilada é utilizada para dar o toque seco a diversas emulsões”, explica.

O material também ajuda na melhora da umectação da pele e não interfere na produção da espuma de alguns produtos.

“Esta é uma prova de que existem diversas possibilidades na indústria química que não dependem de fontes fósseis e que podem nortear e serem diferenciais importantes para os produtos brasileiros”, conclui o pesquisador.

Realizadora do evento junto com Sebrae/PR, Governança IntegraQM mostroua força do setor para Londrina e região.
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