Para quem está começando a empreender ou já tem um negócio, conseguir crédito pode parecer uma etapa distante e, muitas vezes, cercada de dúvidas. Quanto pedir? Qual linha escolher? O que o banco vai analisar? E, principalmente, será que este é o momento certo para assumir uma dívida?
Na Feira do Empreendedor Sebrae, realizada em Curitiba, no Viasoft Experience até sábado (19), essas perguntas podem ser levadas diretamente às instituições financeiras. Ao longo do evento, 11 rodadas de crédito reúnem empreendedores e representantes do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Fomento Paraná, Sicredi Empreendedores e Sicoob para apresentar alternativas de financiamento e ajudar na escolha da opção mais adequada para cada negócio.
A proposta é orientar os empreendedores antes da contratação. Durante as rodadas, é possível apresentar o momento da empresa, esclarecer dúvidas e conhecer diferentes possibilidades de financiamento em um mesmo ambiente.

“A rodada de crédito aproxima instituições financeiras, bancos e cooperativas de crédito dos empreendedores, para que eles conheçam as principais linhas de crédito, as opções de aval (garantia), as taxas de juros e a forma de acessar os recursos. É uma oportunidade para conversar com diferentes instituições no mesmo espaço e identificar qual alternativa faz mais sentido para cada necessidade, buscando um crédito mais acessível”, explica Amberson Bezerra da Silva, coordenador de crédito do Sebrae/PR.
Da ideia à expansão
Os participantes das rodadas chegam com necessidades bastante diferentes.
É o caso de Magali Garcia Rodrigues, que está iniciando uma empresa de sabonetes e velas artesanais em Curitiba, chamada Dedicata.
“Eu venho de uma área de comércio exterior, de importação e exportação. Aprendi um pouco de economia e finanças na venda de consórcios. Mas hoje eu quero ter a minha própria empresa com artesanato”, conta a empresária.

“Eu fazia os sabonetes, mas com intuito de presentear uma amiga, uma lembrança de final de ano. Só que as amigas começaram a pedir encomendas e a coisa veio crescendo por si só. Como eu gosto muito do artesanato, falei: por que não juntar o gostar e as vendas? Então hoje eu vim na Feira buscar uma linha de crédito para realmente começar a fomentar e fazer isso crescer”, pondera.
Em uma fase em que decisões financeiras podem determinar os próximos passos do empreendimento, conversar com instituições antes de contratar um crédito permite conhecer as opções disponíveis e entender quais exigências precisam ser atendidas.
Já Odair Schusarz e Thaís Caroline Coelho Schusarz, ambos de Curitiba, desejam regularizar um negócio que já existe.

“A gente trabalha em vários ramos. Construímos casas para vender, vendemos carros e celulares, trabalhamos com compra e venda. E também fazemos a parte financeira, financiamentos, empréstimos. Estamos na Feira buscando a situação para formalizar a empresa e acessar crédito para ter capital de giro para fazer mais negócios”, explicou Odair.
O que as instituições financeiras analisam?
Para quem empreende e chega à Feira pensando em buscar crédito, uma das principais dúvidas costuma ser justamente o que acontece do outro lado da mesa.
Embora cada instituição tenha seus próprios critérios e produtos, alguns fatores são importantes na análise: documentação, histórico financeiro, faturamento, organização da empresa, planejamento e capacidade de pagamento.

“Primeiro analisamos qual é a finalidade do crédito. É algo importante para entender quais são os produtos mais adequados para aquele cliente. O tempo de empresa, o ramo de atividade, até para entender no segmento se existe alguma linha específica para ele. O tempo de empresa já para entender quais são, de repente, as limitações. Empresas novas têm requisitos um pouco mais rígidos para conseguir o crédito. Empresas já consolidadas têm uma gama mais ampla de produtos e formas de garantia que ela pode aplicar”, explica Juliana Ares Pereira, analista de mercado e desenvolvimento da Fomento Paraná.
Algumas condições também ajudam a melhorar o acesso ao crédito, principalmente para pequenas empresas.
“A questão da garantia é importante. A própria capacidade de pagamento, como é o fluxo de recebimento desses clientes, se eles estão usando as nossas soluções para trazer o recurso. Então, hoje o fluxo de caixa é muito importante. Se o fluxo da empresa passa pelo banco, a gente sabe exatamente como está o comportamento da empresa. Isso facilita na hora da análise do crédito”, relata Juliana Elvira Bressanim Carva, gerente de mercado PJ do Banco do Brasil.
Nos dois primeiros dias de Feira o volume de intenção de crédito nas Rodadas foram de mais de 17 milhões de reais. Ainda há rodadas previstas para acontecer. Nesta sexta-feira (18) serão três: a primeira das 14h30 às 16h30, depois às 17h com término às 19h e a última acontece entre 19h30 e 21h30. As últimas duas Rodadas acontecem no sábado (19), das 14h30 às 16h30 e das 17h às 19h.
Crédito não é solução para qualquer problema
A possibilidade de conseguir recursos para o negócio não significa que contratar crédito seja sempre a melhor decisão.
Quando utilizado de maneira planejada, o recurso pode ajudar a investir na estrutura da empresa, adquirir equipamentos, reforçar o capital de giro ou viabilizar uma expansão. Por outro lado, assumir uma dívida sem conhecer a capacidade de pagamento pode pressionar o caixa e comprometer a operação.
A programação da Feira do Empreendedor dedica espaço justamente a esse tema. Entre as atividades do evento estão orientações sobre como se preparar para buscar financiamento, o que as instituições avaliam na concessão de crédito e quais fatores podem influenciar a aprovação de uma operação. Os visitantes também podem receber orientações para avaliar a situação financeira do negócio, identificar suas necessidades e se preparar melhor antes de conversar com as instituições financeiras.
Uma decisão que começa antes da assinatura
Na prática, a Rodada de Crédito funciona como uma oportunidade para esclarecer dúvidas, entender as necessidades do negócio e identificar a modalidade de crédito mais adequada para cada realidade.

Ao conversar com diferentes instituições em um mesmo ambiente, quem participa das rodadas consegue conhecer alternativas e entender que o crédito deve estar alinhado ao momento e aos objetivos do negócio.
“Para quem ainda está começando, pode ser uma oportunidade de entender o que precisa ser estruturado antes de buscar recursos. Para quem já empreende, pode ajudar a avaliar possibilidades de investimento e expansão. No fim das contas, a principal pergunta talvez não seja apenas quanto o banco pode emprestar, mas quanto o negócio consegue transformar esse crédito em crescimento, sem comprometer o caixa da empresa”, pontua o consultor Amberson Bezerra da Silva.
É justamente nessa diferença entre conseguir crédito e saber utilizá-lo de forma estratégica que está o principal objetivo das rodadas. Na Feira do Empreendedor, os visitantes podem esclarecer dúvidas, comparar alternativas e identificar a instituição e a modalidade mais adequadas para transformar o crédito em um investimento para o crescimento do negócio.
