De um lado, a indústria. Do outro, representantes de cooperativas e associações de catadores. Entre eles, um propósito em comum: criar conexões que possam resultar em novos negócios e fortalecer a cadeia da reciclagem na região Oeste do Paraná. Esse foi o ponto de partida do primeiro encontro realizado em Cascavel, nesta quinta-feira (24). A iniciativa é do Sebrae/PR, em parceria com o Projeto Pró-Catadores, a Nutriplan e a Alicerc.ESG. A proposta é aproximar empresas e indústrias que utilizam materiais recicláveis como matéria-prima de organizações responsáveis pela coleta e separação desses materiais, aproximando oferta e demanda.

O encontro reuniu representantes de cooperativas e associações de catadores e teve como primeira indústria participante a Nutriplan, empresa que atua com soluções para jardinagem, paisagismo e cultivo protegido e que utiliza material reciclado em sua produção. A iniciativa busca, a partir dessa primeira conexão, identificar oportunidades de fornecimento, avaliar possibilidades de comercialização direta e valorizar a cadeia da reciclagem na região.
Para o consultor do Sebrae/PR, Alexandre Costa Coelho, o papel da instituição é facilitar essa aproximação e ajudar a transformar o encontro em oportunidades concretas de negócio.
“O Sebrae, nesse caso, age como um agente de conexão. Ele aproxima a cooperativa e a indústria, ou seja, oferta e demanda, e, nessa conexão, a gente pode transformar isso em uma oportunidade de mercado e em uma oportunidade real de negócio para as cooperativas da região Oeste.”
Participaram do encontro representantes da Coopere, da Cooperativa de Ação e Reciclagem de Materiais de Cascavel e Região (Caremel), da Associação Cascavelense dos Catadores de Recicláveis (Ascacar) e da Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis do Julieta Bueno (Coopercaju), de Cascavel, além da Associação de Catadores de Recicláveis de Toledo (Acatol).
De acordo com a engenheira ambiental Bruna Saara, o primeiro encontro representa uma oportunidade de aproximar as cooperativas da indústria e identificar como os materiais disponíveis na região podem atender às demandas do mercado.
“Nosso interesse é que essa primeira rodada de negócios seja para aproximar e gerar oportunidades para as cooperativas, porque acaba gerando também maior valor na negociação e para a indústria, que poderá captar a quantidade de material que utiliza aqui da nossa região”, destaca Bruna.

Atualmente, indústrias que utilizam materiais recicláveis como matéria-prima precisam buscar parte desses insumos em outros estados para atender às necessidades de produção. Em Cascavel, seis cooperativas estão formalizadas e cerca de 180 pessoas, além de suas famílias, dependem diretamente da atividade de reciclagem.
Oferta e demanda
Para a indústria participante do primeiro encontro, a aproximação é uma oportunidade de desenvolver fornecedores locais e fortalecer a cadeia da reciclagem na região.
“Somos uma empresa com um consumo muito grande de material reciclado e hoje estamos buscando essa matéria-prima em outros estados do Brasil. Esta é uma oportunidade única de incentivar o crescimento dessa negociação na região. Pelo volume que a gente compra e consome, por que não focar na região para fomentar o desenvolvimento dessas cooperativas?”, questiona Alexandre Salomão, representante da Nutriplan no encontro.

Oportunidade de crescimento
Márcia Regina de Oliveira, representante da cooperativa Carimel, que atualmente conta com 30 cooperados, vê a iniciativa como a possibilidade de concretizar uma aproximação aguardada há anos.
“Isso é um sonho antigo. Toda cooperativa sonha em entregar para a indústria. Uma, pelo valor que agrega, que é bem maior. Então, achei a atitude do Sebrae maravilhosa. Acho que esse é o caminho mesmo e estamos dispostos a negociar.”

A expectativa dos organizadores é que o encontro seja apenas o primeiro de uma série de conexões entre cooperativas, associações e empresas de diferentes segmentos, ampliando as possibilidades de comercialização dos materiais recicláveis na própria região.
Alessandra Baldin, uma das administradoras da Ascacar, que reúne 25 associados, avalia que a aproximação pode abrir novas possibilidades para os trabalhadores da reciclagem e aumentar o valor obtido com a venda dos materiais.
“Eu vejo como uma grande oportunidade. Nós pensamos bem para frente, a longo prazo, e temos muita vontade de ter esse contato. Foi o Sebrae que possibilitou essa conversa, para vermos de perto, tentarmos essa negociação e termos um melhor valor agregado para poder vender esses materiais, trazendo uma renda melhor para os associados”, analisa Alessandra.

Futuro
A proposta, segundo os organizadores, vai além de uma negociação pontual. A intenção é construir uma relação que permita às cooperativas conhecer melhor as demandas da indústria e, ao mesmo tempo, possibilite às empresas identificar fornecedores e materiais disponíveis na própria região. A partir deste primeiro encontro, cooperativas e indústria manifestaram interesse em dar continuidade às conversas e avançar nas possibilidades de negociação, respeitando as condições de fornecimento e demanda de cada parte.

