Fator de sobrevivência para as empresas na atualidade, a presença digital foi acelerada por conta da pandemia. A internet como espaço para fazer negócios garantiu a sobrevivência de micro e pequenas empresas e abriu um leque de possibilidades. Nesse cenário, o preparo é fundamental, por isso o Sebrae/PR abordou o tema “Como coloco minha empresa na internet?”, na Arena do Conhecimento, nesta segunda-feira (25). A atividade faz parte da Feira do Empreendedor, 100% online e gratuita, realizada pelo Sebrae até quarta-feira (27).
De acordo com a consultora do Sebrae/PR, Adriana Schiavon Gonçalves, a digitalização de empresas e o marketing digital passaram a ser temáticas obrigatórias no campo dos negócios. “Por meio da internet, os empreendedores podem obter vantagens e aumentar o faturamento. Mas é preciso aprender a criar um relacionamento com o público e se aperfeiçoar por meio dos canais digitais”, explica.
Além de palestras com especialistas e empresários, que contaram sobre como venceram desafios, a jornada contou com treinamentos e oficinas que ensinaram conteúdos práticos para conquistar bons resultados no contexto mundial da internet. “Notamos bastante engajamento dos participantes, perguntando, tirando dúvidas, interagindo entre si”, pontua Adriana.
A programação teve início com a masterclass “Como empreender com sucesso na Internet”, ministrada pelo ator, apresentador e digital influencer, Felipe Titto. Hoje com 5,3 milhões de seguidores, ele começou a carreira digital ao notar que poderia monetizar postagens de produtos.
“Passei a me posicionar como alguém que poderia vender produtos e comecei a fazer isto de forma mais profissionalizada. Se eu melhorasse as entregas e fosse recorrente daria certo. E foi isso que fiz”, contou. O empresário investiu na produção dos vídeos para a entrega de campanhas bem encorpadas. “O cliente fica satisfeito, e a audiência é impactada”, completou.
O empresário disse ser comum quem está iniciando uma jornada digital se importar mais com a quantidade de seguidores do que com a qualidade. “Se não começar a gerar conteúdo para os seguidores que possui, mesmo que poucos, a empresa não vai conseguir atingir um número maior. Mas ter cem, 15 seguidores, não importa a quantidade, já é influenciar pessoas”, observou.
O conselho é não ter medo de comunicar nem preguiça. É preciso se dedicar a conhecer a base de seguidores e o que ela deseja. Para isso, uma dica é lançar mão de recursos do Instagram, como as enquetes com perguntas de sim ou não.
“Estejam dispostos a aprender. Quando forem buscar conhecimento, entendam quem está ensinando e procure instituições sérias, que possam levar insigths para a sua empresa”, frisou.
O mentor de negócios e especialista em marketing digital, Cézar Lima, da Stardust Digital, falou sobre “A importância de posicionar o seu negócio no Google”, tendo em conta esse ser o maior buscador online do mundo. Para se ter ideia, calcula-se que 93% dos acessos em um site ocorrem a partir do Google.
Ao brincar com a frase “Penso, logo existo”, do filósofo René Descartes, Lima cravou: “Estou no Google, logo existo”. “Algumas pessoas pensam que é preciso estar online. Estar online é um primeiro passo. Estar online e estar no Google são coisas diferentes. É preciso saber como trazer pessoas, ter um domínio, um site e utilizar ferramentas da plataforma.”
Entre os recursos do Google que podem ser aproveitados pelas empresas, Lima destacou o Google Meu Negócio. É por meio dessa ferramenta que o empreendedor coloca informações como localização, horário de atendimento, telefones para contato, fotos e outros detalhes que sejam do interesse da clientela. Ele também aconselhou a utilizar o Google Maps para marcar a localização da empresa e o uso do Youtube, segundo maior buscador.
Outra forma de marcar presença é o Google Ads, serviço de publicidade do Google, que de acordo com Lima acelera o posicionamento digital. Esse recurso é pago e ajuda a alavancar a empresa na rede, mas um trabalho bem feito de forma orgânica proporciona resultados importantes.
O especialista explicou que o Google exibe o melhor resultado baseado no que é mais importante para atender à pergunta feita. Essa relevância é conquistada ao se falar com autoridade sobre o tema, com texto longo, fotos, conteúdo de apoio, repetindo palavras estratégicas. “Quando sou o primeiro no Google me torno referência de mercado. Cerca de 75% das pessoas clicam no primeiro link que aparece e só 5% vão até a segunda página para procurar o que precisam”, disse.
Tem um jeito fácil de vender online?
No final da programação do dia 25, o painel “Primeiros passos para empreender online” reuniu Alexandre Nogueira, fundador da Universidade Marketplaces (universidademarketplaces.com.br) e a empreendedora Inês Correia, com mediação de Mayra Gianoni, gerente da Americanas Marketplace (americanasmarketplace.com.br).
Em um bate-papo descontraído e cheio de informações, eles compartilharam suas experiências e aprendizados no mundo das vendas online. Inês Correia, por exemplo, trabalhou por 22 anos no setor de Tecnologia da Informação e tinha a venda de produtos para maquiagem como segunda opção, desde 2012. A formalização como MEI (microempreendedora individual) aconteceu em 2018, mas foi com a pandemia, e os impactos causados, que ela deixou de vender apenas para seguidores nas redes sociais e passou a atuar no marketplace das Americanas.
“Em três dias, fiz minha primeira venda”, recordou Inês, detalhando que comercializava pinceis para maquiadores, mas que expandiu suas vendas para “todas as pessoas que querem ficar bonitas.”
Antes de fundar a Universidade Marketplaces (universidademarketplaces.com.br), Alexandre Nogueira foi responsável pela operação de uma empresa que entrou no mercado digital em 2009, no setor de artigos para jardinagem. Em 2015, ele iniciou a própria empresa, no segmento de cosméticos.
“A gente é do tamanho do nosso sonho, da nossa vontade. Iniciei com cosméticos, por permitir trabalhar com baixo volume e investimento menor”, explicou.
Alexandre indicou a entrada em marketplace como uma opção acessível para iniciantes, por oferecer grande audiência e o pacote logístico.
Identificação e tendência
Mayra Gianoni lembrou que a identificação do empreendedor com os produtos que pretende comercializar também é importante. A gerente da Americanas Marketplace falou ainda sobre o live commerce, uma tendência de vídeo ao vivo com demonstração de produtos. “Enquanto está assistindo, a pessoa já consegue ver os itens, colocar no carrinho e comprar”, completou Mayra.
Para encerrar, Inês e Alexandre deram algumas dicas para quem quer começar a vender online.
“Meu conselho é ser o mais objetivo possível, pois o cliente está online, estar atento para montagens dos anúncios para conquistar”, resumiu Inês Correia.
Alexandre Nogueira reforçou a necessidade de ter foco, escolher um marketplace e se dedicar a ele. “Não adianta estar em vários marketplaces e não ter atendimento adequado. Foque em uma plataforma e se prepare. Aprenda a anunciar, a postar e a fazer o pós-venda”, finalizou o especialista.
Diversificação
Outro destaque da programação desta segunda-feira (25), foi a palestra ministrada por Leandro Roque de Oliveira, o Emicida. Em um bate-papo sobre reinvenção, sonhos e diversidade, o rapper, que também é produtor, letrista, compositor e designer de moda, relatou experiências pessoais e incentivou os participantes a reconhecerem que o empreendedorismo vai muito além do empreendimento em si. Fazendo referência ao documentário ‘AmarElo’, produzido por ele, Emicida garantiu que é preciso que os empreendedores entendam o tempo de cada etapa e, a partir disso, compreendam também condições que poderão, ou não, favorecer o desenvolvimento da semeadura.
“É importante a gente ter em mente que as condições climáticas mudam de um ano para o outro. Vão surgir pragas, coisas fora do previsto que costumam acontecer. Isso é a vida real. O que me manteve nesse caminho foi a sensibilidade, a atenção e a dedicação. A gente não pode perder isso de vista”, destacou.
Questionado sobre a importância das conexões e dos trabalhos em redes, Emicida enalteceu a importância dessas relações. Relembrando uma história pessoal, ele contou que no início da carreira, costumava mandar e-mails e abordar produtores culturais sem conhecê-los diretamente, mas que esses contatos eram frutos do bom relacionamento em redes. Nesse sentido, incentivou parcerias, collabs e o pensamento focado para o bem coletivo.
“A gente tem que ser bom em fazer rede. Não é uma opção. Todo mundo vive entrelaçado. Nesse sentido, não só saber construir, mas oxigenar redes que já existem para que elas continuem fazendo ponte entre as pessoas é fundamental. Eu acredito muito que não existe vitória individual. Uma vitória de verdade tem de ser uma vitória coletiva. E isso só acontece com a organização em rede”, comentou o artista.
Além disso, outro ponto bastante destacado por Emicida é a necessidade de pensar e executar um empreendedorismo cada vez mais inclusivo e diversificado. Ao relembrar o começo da produção de peças da moda, por exemplo, ele citou um episódio emblemático onde, durante um show, não conseguiram vender nenhuma camiseta criada. Diante da situação inesperada, ao contrário do desespero e da desistência, houve ação.
“Isso fez a gente voltar e estudar mais sobre o nosso produto. Por que ele não tinha sido convidativo? E foi assim que a gente começou a evoluir, entendendo como se fazia roupa. Eu acredito que a criatividade é a nossa matéria prima. A plataforma na qual a gente vai dispor a nossa criatividade não faz diferença. Se vai ser um CD, um show, um documentário, um desfile de moda… depois a gente vai ver. O que importa é que a gente é criativo e atento para compartilhar a nossa criatividade com o mundo por alguma janela qualquer. A gente gosta de contar histórias e a gente sabe que contar isso é essencial, principalmente quando você tem um empreendimento”, pontuou.
Considerado hoje um dos maiores cases de sucesso da cena do rap nacional, Emicida ainda deixou conselhos valiosos para os participantes.
“Se tem uma oportunidade que surge nesse momento, é a de mostrar que a gente é maior que isso [pandemia]. Dá trabalho. É aquela coisa: não queira chegar ao topo do Everest sem derramar um pingo de suor. Mas os abismos que a gente sofre, são inventados pelo homem e se eles foram inventados, também podem ser substituídos por ideias melhores”, destacou, incentivando a constante atualização e a reinvenção dos empreendedores.
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