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Paraná revela vencedores do Prêmio Educador Transformador 2025

Iniciativa reconhece educadores e gestores que desenvolvem projetos inovadores com foco em inclusão, protagonismo e impacto social
Por Jorge Camargo
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Educadores e gestores do Paraná tiveram seus projetos reconhecidos na etapa estadual do Prêmio Educador Transformador (PET) 2025, promovido pelo Sebrae, iniciativa que valoriza práticas inovadoras e fortalece a educação empreendedora em todo o País. Organizados por categoria, os vencedores paranaenses avançam para a etapa nacional, após passarem por um processo formativo estruturado e avaliação técnica especializada.

Na fase estadual, as propostas foram analisadas por uma banca com indicados pelo Sebrae, Bett Brasil e Instituto Significare. Entre os critérios considerados estiveram a qualidade da ideia, relevância e impacto da solução, inovação, viabilidade prática e potencial transformador no contexto educacional.

“Primeiramente, é realizada uma pré-seleção das ideias. Depois, os educadores participam das Jornadas de Desenvolvimento, nas etapas estadual e nacional, com imersão, ideação, prototipação e aprimoramento das propostas. Estamos na fase estadual, que prioriza o aprendizado e o desenvolvimento do próprio candidato ao longo do processo”, explica a coordenadora de Cultura Empreendedora do Sebrae/PR, Elisangela Rosa.

Um dos diferenciais da edição 2025, segundo Elisangela, é o uso de uma plataforma digital com suporte de Inteligência Artificial (IA), que auxiliou na organização e no refinamento dos projetos.

“A IA oferece sugestões e feedbacks durante a jornada formativa, mas não substitui a avaliação técnica. As notas e decisões finais são tomadas por avaliadores humanos, conforme o regulamento oficial”, reforça.

A edição deste ano também ampliou o público participante, incluindo não apenas professores de sala de aula, mas também gestores escolares, com estímulo à cocriação e ao desenvolvimento colaborativo das propostas.

Vencedores no Paraná

A vencedora da categoria Gestão Educacional Transformadora foi a psicóloga escolar e diretora do departamento de Educação Especial e Inclusiva da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Cerro Azul, Evellyn Thais Pereira. O projeto apresentado foi o “Mapa Territorial Inteligente para o Atendimento Educacional Especializado (AEE)” nas escolas do campo, iniciativa que propõe o cruzamento de dados educacionais, territoriais e de transporte escolar para orientar a implantação estratégica de Salas de Recursos Multifuncionais.

Segundo a educadora, a ideia surgiu a partir da realidade de um município paranaense com grande extensão territorial e número reduzido de alunos por escola.

“Temos 18 escolas no campo, com turmas que variam entre oito e 26 estudantes. Não é viável implantar uma sala em cada unidade. A partir do cruzamento de dados de geolocalização e do plano diretor, com apoio da IA, conseguimos identificar o ponto mais estratégico para atender o maior número de alunos, facilitando o deslocamento pelo transporte escolar, sem gerar custos às famílias”, explica Evellyn.

O projeto já está em fase de implantação. O mapeamento foi concluído e a equipe trabalha na abertura e na estruturação da sala definida como mais viável. Evellyn afirma que a construção envolveu diferentes setores da Secretaria Municipal de Educação, especialmente a equipe do transporte escolar, além do apoio direto da secretária da pasta.

“A construção coletiva foi imprescindível. Nosso município é um dos mais pobres do Paraná. Inovar, para nós, é quase uma necessidade. Muitas políticas públicas são pensadas para grandes centros e precisamos adaptá-las à nossa realidade para garantir educação de qualidade”, destaca.

Segundo a vencedora, o reconhecimento amplia o alcance da iniciativa. “Participar do prêmio é dividir o que deu certo aqui e colaborar com outros municípios. Estamos levando o AEE ao campo, onde nunca houve esse serviço. É um direito básico que ficou negligenciado por muito tempo”, enfatiza.

Inclusão e Sustentabilidade na Educação

Na categoria Inclusão e Sustentabilidade, o projeto vencedor foi o “A leitura inspirada pelo mundo em Curitiba, a capital dos imigrantes”, desenvolvido pela pedagoga da Educação Infantil na Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, Regiane Aparecida Maciel dos Santos. A proposta valoriza a diversidade cultural e fortalece o vínculo das crianças com o livro físico, aproximando leitura, afeto e identidade.

“Percebemos que a leitura precisava ultrapassar os muros da escola e disputar espaço com as telas de forma significativa. A criança pequena lê com o corpo inteiro, com curiosidade, surpresa e encantamento. Por isso criamos dispositivos como a ‘Caixa do Encantamento’, que vai para a casa das famílias com livros, objetos afetivos, QR codes e um caderno de registros”, explica Regiane.

Uma das ações do projeto “A leitura inspirada pelo mundo em Curitiba, a capital dos imigrantes” é o chá literário, encontros de leitura no bosque da unidade escolar. Foto: Arquivo pessoal.

Entre as ações estão ainda o “Chá Literário”, que são encontros de leitura em ambiente acolhedor no bosque da unidade; a Fábrica de Livros das Famílias, em que pais e responsáveis tornam-se autores junto às crianças, e a criação de um totem literário interativo, prototipado com materiais sustentáveis e testado a partir da observação do manuseio infantil.

“O projeto valoriza o que chamo de bilinguismo afetivo: quando a língua de casa vira ponte e não barreira. As famílias imigrantes passaram a compartilhar receitas, histórias e memórias culturais. Isso fortalece pertencimento, cidadania e inclusão”, afirma a pedagoga.

A educadora destaca que o percurso formativo do prêmio foi decisivo. “Eu achava que o projeto já estava pronto, mas, com as etapas de imersão, ação e prototipagem, conseguimos reorganizar as ideias a partir da escuta das crianças e das famílias. O prêmio me deu método, repertório e coragem para seguir”, enfatiza.

A proposta prevê ainda a criação de kits de replicação do totem e guias de construção com materiais reutilizáveis, ampliando o potencial de expansão para outras unidades da rede municipal.

Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas

O projeto “Empreendetec+: do currículo à comunidade” foi o vencedor na categoria Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas. A iniciativa foi desenvolvida por Anelize Raffaelli, professora e coordenadora do Curso Técnico em Marketing do Colégio Estadual Wilson Joffre, em Cascavel. Segundo ela, a proposta transforma o currículo técnico em uma feira pedagógica integrada, na qual os alunos criam projetos empreendedores e atuam como orientadores de pequenos negócios da comunidade.

“A proposta surgiu da necessidade de conectar o ensino técnico à realidade das famílias. Muitos pais têm pequenos empreendimentos informais e precisam de apoio em marketing e organização. Os alunos passaram a aplicar o que aprendem ajudando essas famílias”, explica a professora responsável.

Dentro do Empreendetec+: do currículo à comunidade, alunos criam projetos empreendedores e atuam como orientadores de pequenos negócios da comunidade. Foto: Arquivo pessoal.

Segundo ela, os resultados incluem mais engajamento estudantil, desenvolvimento de autonomia, habilidades de comunicação e fortalecimento do vínculo entre escola e comunidade. “Os estudantes se enxergam como protagonistas. A escola deixou de ser apenas espaço de aula e passou a ser espaço de transformação social”, afirma.

A construção envolveu equipe pedagógica, alunos e familiares, em um processo colaborativo. A próxima etapa é ampliar o projeto para outras turmas e torná-lo uma ação contínua.

“Receber o Prêmio Educador Transformador confirma que vale a pena acreditar em uma educação que sai da sala de aula e alcança a vida real. Esse reconhecimento inspira outros educadores e mostra que a escola pode e deve ser espaço de oportunidades e futuros possíveis”, destaca Anelize.

Na edição de 2024, projeto “Integrow – Ecossistema de Inovação do Integrado” do professor Fabricio Pelloso Piurcosky de Campo Mourão, foi vencedor nacional na categoria Ensino Superior. Foto: Túlio Vidal.

Reconhecimento e próximos passos

Na etapa estadual, os vencedores recebem certificado, selo digital, troféu e, para os primeiros colocados de cada categoria, um pacote completo para participação no Congresso Bett Brasil 2026, edição nacional da British Educational Training and Technology Show (Bett), maior feira internacional voltada à inovação educacional, que será em São Paulo.

Para o Sebrae/PR, o prêmio fortalece a educação empreendedora ao reconhecer professores e gestores como mediadores do desenvolvimento de competências essenciais para a vida. “Educação empreendedora não é apenas ensinar a abrir negócios, mas formar pessoas capazes de tomar decisões, identificar oportunidades, resolver problemas e agir com autonomia e responsabilidade”, conclui a coordenadora de Cultura Empreendedora, Elisangela Rosa.

Ao valorizar práticas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com foco em inclusão, sustentabilidade e uso consciente da tecnologia, o Prêmio Educador Transformador reforça o papel da escola na construção de um futuro mais justo, inovador e conectado aos desafios contemporâneos.

Confira a classificação completa da etapa estadual:

Gestão Educacional Transformadora:
  1. Evellyn Thais Pereira, com o projeto “Direito à inclusão no campo: a construção do aee em cerro azul”
  2. Geverson Wesley Melo da Silva, com o projeto “Por trás do quadro: a vida e a saúde mental de quem ensina”, desenvolvido em conjunto com o grupo de apoio composto por Ana Paula Ferreira Danilau e Málaga Olsen de Carvalho
  3. Renata Aparecida Selmer, com o projeto “Uma escola, uma internet, o mundo do Guararema”, desenvolvido em conjunto com o grupo de apoio composto por Bruna da Silva Barreto, Marilene de Souza e Angela Cristina Ferro
Inclusão e Sustentabilidade na Educação:
  1. Regiane Aparecida Maciel dos Santos, com o projeto “A leitura inspirada pelo mundo em Curitiba, a capital dos imigrantes”, desenvolvido em conjunto com o grupo de apoio composto por Marilza Marchiore de Melo, Andressa Louise Homenn e Letícia Milena Gonçalves Pinto
  2. Wagner Fonseca Souza, com o projeto “Rota acessível: plataforma de inteligência urbana para cidades inclusivas”
  3. Valdineia A. Schinemann, com o projeto “Empreendedorismo”, desenvolvido em conjunto com o grupo de apoio composto por Kézia Schneider Warmuth Cordeiro e Alexandra Terezinha Kapusinski
Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas:
  1. Anelize Raffaelli, com o projeto “Empreendetec+: do currículo à comunidade”
  2. Marcia Antonia Bartolomeu Agustini, com o projeto “Arena tech UTFPR”, desenvolvido em conjunto com o grupo de apoio composto por Eduardo Eyng e Cristhiane Rohde
  3. Gislaine Martinelli Baniski, com o projeto “Engaja mais UEPG”
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