Gestores públicos de oito municípios dos Campos Gerais se reuniram nesta terça-feira (22), em Ponta Grossa, para transformar dados sobre a indústria regional em uma agenda comum de competitividade. O “Café com Secretários – Diálogos para o Desenvolvimento Industrial Regional” foi promovido pelo Sebrae/PR em parceria com a Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG) e o Sistema Fiep. Participaram representantes de Arapoti, Carambeí, Castro, Jaguariaíva, Palmeira, Ponta Grossa, Porto Amazonas e Sengés.

A proposta do encontro foi utilizar dados sobre o território para identificar oportunidades de desenvolvimento industrial, considerando as características de cada município e as possibilidades de atuação conjunta para ampliar a competitividade regional. A programação contou com dados da Fiep e do Município em Números, ferramenta do Sebrae que reúne indicadores municipais. Na sequência, os gestores participaram de uma dinâmica para identificar dificuldades comuns ao crescimento das empresas e barreiras à atração, à permanência e à expansão de indústrias na região.
Os números apresentados pela Fiep no encontro mostram que a indústria tem maior participação na economia dos Campos Gerais do que na média estadual. Na região, o setor responde por 36% do Valor Adicionado Bruto (VAB), contra 28% no Paraná. A atividade industrial, no entanto, apresenta concentração territorial. Segundo o levantamento, Ponta Grossa, Telêmaco Borba, Castro, Carambeí e Jaguariaíva reúnem 79% dos vínculos de emprego dos setores da indústria e da construção na região.
Os dados também evidenciam diferenças significativas entre os perfis econômicos dos municípios dos Campos Gerais. A participação da indústria no VAB varia de 3,7%, em São João do Triunfo, a 63,3%, em Ortigueira. Entre os municípios com maior participação industrial estão ainda Telêmaco Borba, com 59%, Jaguariaíva, com 43,4%, e Ponta Grossa, com 40,2%. Essas diferenças mostram a importância de considerar as características e vocações de cada município na definição de prioridades e ações para o desenvolvimento industrial da região.
A partir das informações apresentadas, as contribuições dos municípios foram organizadas em frentes como ambiente de negócios, capital humano, diversificação ou especialização produtiva, acesso a mercados e infraestrutura. Também foram discutidas questões como a dificuldade de retenção de talentos, a dependência de determinados setores ou empresas e a necessidade de fortalecer pequenas indústrias locais, estejam ou não conectadas a grandes empresas.
Indústria não é só grande empresa
Para a consultora do Sebrae/PR, Joslaine Schimidt, esse olhar é especialmente importante para os municípios com menor densidade industrial. “Queremos identificar oportunidades e gargalos existentes que sejam comuns e, a partir disso, priorizar algumas ações, com esse viés de aumentar a competitividade das pequenas indústrias e do setor no município”, explica.
Segundo ela, o desenvolvimento industrial não precisa estar associado apenas a atração de grandes empresas. É preciso também criar condições para que as micro e pequenas indústrias já instaladas nos municípios possam crescer, inovar e acessar novos mercados. Nesse processo, a integração com grandes indústrias, o fortalecimento das cadeias produtivas e o estímulo às compras locais podem ampliar as oportunidades de negócios e contribuir para o desenvolvimento da região.
A perspectiva regional foi destacada pela secretária de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional de Ponta Grossa, Tônia Mansani. Para ela, municípios com diferentes estruturas podem se complementar. “Não podemos pensar apenas no desenvolvimento de cada município de forma isolada. Precisamos pensar nos Campos Gerais como um território de oportunidades”, afirmou.
A ideia também foi percebida por municípios de menor porte. Secretária de Meio Ambiente de Porto Amazonas, Mireylla Bassani Lima destacou que a troca permitiu identificar problemas semelhantes entre cidades com realidades distintas. “A gente conseguiu identificar que os mesmos problemas e as mesmas dificuldades que a gente enfrenta, os municípios vizinhos acabam enfrentando também”, relatou Mireylla.
Para o coordenador do Conselho Regional da Fiep, Rafael Rickli, os dados reforçam a importância de ampliar o olhar sobre a indústria para além dos municípios onde a atividade já está mais concentrada. Segundo ele, a região tem potencial para fortalecer o setor, gerar oportunidades e ampliar a participação de outros municípios nas cadeias produtivas.
O presidente da AMCG e prefeito de Sengés, Gerson Nunes, também ressaltou a importância da articulação entre os municípios. “Essa troca de informações entre os municípios é fundamental para atender demandas conjuntas, trazer tecnologia e oportunidades para a região”, disse o prefeito.
Continuidade
Uma nova reunião entre os secretários está marcada para 7 de outubro, em Castro. O encontro dará sequência às discussões a partir dos diagnósticos de cada município, com o objetivo de avançar na definição de prioridades e de ações conjuntas, considerando temas como ambiente de negócios, capital humano, diversificação produtiva, acesso a mercados e infraestrutura. Entre os encaminhamentos discutidos está também a elaboração de um mapa de oportunidades para a região, com participação dos municípios.
A iniciativa integra a atuação do Sebrae/PR no desenvolvimento territorial, aproximando gestores públicos e instituições para transformar informações, experiências e demandas locais em estratégias construídas de forma conjunta.
