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Acordo Mercosul–União Europeia pode ampliar oportunidades para pequenos negócios do Paraná

Cenário favorece produtos com identidade territorial, organização coletiva e certificações. Sebrae/PR apoia empresas e produtores na preparação para acessar mercados internacionais
Por ASN Paraná
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Cadeias agroalimentares do Paraná integram segmentos com potencial de ampliar mercados. Foto: Gilson Abreu/AEN

A ratificação do acordo de parceria entre Mercosul e União Europeia, confirmada em janeiro de 2025, motiva um novo cenário para a inserção de pequenos negócios brasileiros no mercado internacional. No Paraná, o contexto favorece especialmente empresas e produtores que atuam com alimentos e bebidas, artesanato, moda, design e produtos com certificação de origem, segmentos nos quais a diferenciação, a rastreabilidade e a identidade territorial são fatores valorizados pelos consumidores europeus. Segundo projeções do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o tratado pode injetar até R$ 37 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) nacional até 2044.

No Paraná, esse cenário reforça a atuação do Sebrae/PR na preparação de pequenas empresas e produtores rurais para atender às exigências de mercados que valorizam qualidade, procedência e rastreabilidade. Segundo o coordenador de Mercado Empresarial do Sebrae/PR, Luiz Antonio Rolim de Moura, o tratado vai além da redução de tarifas.

“É uma janela de oportunidade que começa pelas características tarifárias, mas também passa pelo perfil das pequenas empresas paranaenses, que atuam em áreas que já têm facilitação nas etapas iniciais do acordo, como alimentos e bebidas, moda e design, artesanato e produtos com indicação geográfica”, afirma.

No meio rural, a possibilidade de acessar o mercado internacional está diretamente ligada à valorização da origem, da identidade e da organização coletiva. Inês Yumiko Sasaki, produtora rural e presidente da Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (Coac), relata que a união entre os associados foi fundamental para alcançar mercados fora do Brasil.

“O pequeno produtor tem dificuldade de trabalhar sozinho. Com o apoio do Sebrae, fundamos a cooperativa e, desde então, sempre caminhamos juntos. Alcançamos mercados fora do Brasil graças a esse acompanhamento”, relata.

Goiaba de Carlópolis, reconhecida como Indicação Geográfica pelo INPI, é exemplo de identidade territorial e organização coletiva. Foto: Divulgação

A experiência da COAC demonstra como a organização coletiva contribui para a inserção no mercado internacional. Segundo Inês, a cooperativa participa de eventos nacionais e internacionais como estratégia para divulgar a goiaba de Carlópolis, produto reconhecido como Indicação Geográfica (IG) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e ampliar o relacionamento com compradores.

No processo de exportação, a primeira remessa para a Europa ocorreu a partir de articulações institucionais e comerciais, reforçando o papel da cooperação e do planejamento para acessar mercados externos. Para ela, o fortalecimento do trabalho coletivo pode ajudar os pequenos a crescer e aproveitar as oportunidades, inclusive do novo acordo.

“Somos um grupo de pequenos produtores unidos. O próximo passo é continuar fortalecendo essa união para vender melhor nossos produtos fora do Brasil, onde o mercado é mais atrativo”, destaca Inês.

Mel de abelha terá cotas específicas dentro do acordo. Foto: Camila Agner

De forma complementar, a produtora rural Angela Zampier, de São Mateus do Sul, avalia que produtos com certificações, como o caso da IG da erva-mate São Matheus, e identidade territorial têm mais condições de competir fora do país.

“Produtos com selo de Indicação Geográfica, denominação de origem e certificações têm maior condição de ganhar espaço no mercado externo. O Brasil tem solo e clima privilegiados, só precisamos garantir qualidade e rastreabilidade”, afirma.

A erva‑mate é um produto de grande expressão na agropecuária brasileira: segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) e a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do IBGE, São Mateus do Sul produziu 67,7 mil toneladas da planta, liderando a produção nacional em 2022, o que evidencia a relevância econômica e social desse cultivo para os pequenos produtores. Para Angela, essa valorização e preparo do produto não acontecem de forma isolada.

“O produtor precisa olhar para o mercado com visão de longo prazo, investir em organização e entender que a exigência aumenta quando se fala em exportação. É um caminho possível, mas exige planejamento”, completa.

Erva-mate integra a cadeia produtiva paranaense com reconhecimento de origem. Foto: José Fernando Ogura – Arquivo AEN

Novo cenário

A confirmação do acordo de parceria entre Mercosul e União Europeia pode gerar novas oportunidades de acesso a mercados que valorizam qualidade, procedência e diferenciação. No Paraná, que já conta com cadeias produtivas estruturadas e produtos com Indicação Geográfica (IG), o acordo pode contribuir para a abertura de novos canais de comercialização e para o fortalecimento de marcas autorais.

O coordenador de Mercado Empresarial do Sebrae/PR ressalta que a exportação deve ser vista como parte do negócio, e não como substituição do mercado interno.

“A exportação complementa a estratégia do produtor. O mercado local continua sendo a base da operação, enquanto o mercado externo pode ampliar valor e escala. Avançar nesse caminho envolve planejamento, tomada de decisão estratégica e adequação às exigências da regulamentação de mercado. A preparação para atuar fora do país passa a ser incorporada de forma gradual à rotina do empreendimento, respeitando a capacidade produtiva e a realidade de cada um”, observa Luiz Rolim de Moura.

Reconhecimento territorial como diferencial competitivo

Produtos com IG ganham destaque nesse contexto por já atenderem a critérios valorizados no mercado europeu. Atualmente, o Paraná é o estado brasileiro com o maior número de produtos com reconhecimento de origem, somando 24 registros, entre eles cafés especiais do Norte Pioneiro, mel do Oeste do Paraná, queijo colonial do Sudoeste, uvas finas de Marialva, erva-mate de São Matheus e as tortas de Carambeí. A conquista mais recente foi do café da Serra de Apucarana.

A consultora do Sebrae/PR, Maria Isabel Guimarães, explica que a IG é um reconhecimento oficial concedido pelo INPI a produtos cuja reputação, qualidade ou características estão ligadas ao território onde são produzidos.

“Quando produtos com vínculo territorial carregam uma identidade, uma história e uma forma de produção que não podem ser reproduzidas em qualquer lugar. Isso agrega valor e diferenciação, além de facilitar o acesso a mercados que já estão acostumados a consumir produtos de procedência reconhecida”, explica.

Café verde e solúvel também ganha acesso facilitado ao mercado europeu. Foto: Divulgação

Ela destaca que, além do mercado externo, esse reconhecimento fortalece o desenvolvimento regional.

“Onde existe uma Indicação Geográfica, há impacto positivo no território. O turismo é fortalecido, a renda circula e toda a cadeia produtiva é beneficiada”, afirma.

O acesso ao mercado europeu exige preparo técnico, atenção a certificações e capacidade de organização produtiva, especialmente para negócios de menor porte. Nesse contexto, o Sebrae/PR oferece atendimentos, capacitações e orientações especializadas para apoiar pequenas empresas no campo e na cidade, na preparação para exportação e no acesso a mercados internacionais.

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