Pequenas indústrias apresentaram produtos e serviços diretamente a potenciais compradores durante a Rodada de Negócios do setor metalmecânico, realizada nesta terça-feira (25), na Expo+Indústria 2026, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A iniciativa reuniu 30 empresas fornecedoras e 13 empresas compradoras e gerou expectativa de R$ 2,47 milhões em negócios.
Promovida pelo Sebrae/PR e pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a rodada integrou a programação da feira, no Expotrade Convention Center. Em reuniões rápidas e direcionadas, indústrias e prestadores de serviços especializados puderam negociar diretamente com empresas interessadas em ampliar sua base de fornecedores. Segundo a organização, 77% dos participantes indicaram expectativa de geração de negócios a partir dos contatos realizados.

Para o vice-presidente da Fiep, Marcos Dybas da Natividade, o contato direto entre empresas amplia a competitividade da indústria paranaense ao revelar oportunidades que nem sempre surgem pelos canais comerciais tradicionais. “A indústria cresce quando troca experiências e se conecta”, afirmou.
Além de representar a Fiep, Natividade também participou da rodada como representante de uma empresa fornecedora. Segundo ele, o encontro ajudou a identificar possibilidades de ampliar relações comerciais já existentes.
“Mesmo com um cliente consolidado, a conversa direta pode revelar demandas que ainda não havíamos identificado”, relatou.
A consultora do Sebrae/PR, Suelen Suzuki, explicou que o setor metalmecânico foi priorizado pela presença expressiva de pequenas empresas e pela demanda por novos canais comerciais. O segmento também enfrenta desafios relacionados à produtividade, à melhoria de processos e à adoção de tecnologias.
De acordo com Suelen, a aproximação com novos compradores pode ampliar as possibilidades de venda e criar condições para que as empresas invistam no próprio negócio.
“As rodadas aproximam fornecedores de potenciais compradores, abrem novos canais comerciais e fortalecem a presença das pequenas indústrias no mercado”, explicou.
Encontro encurta caminho
Entre os fornecedores estava a Tier1 Automotive, especializada em mão de obra técnica para áreas como operação, engenharia, qualidade e logística. O diretor Márcio Herold participou para ampliar a atuação da empresa no mercado B2B e iniciar conversas com potenciais clientes.
Herold saiu do encontro com contatos para novas negociações e destacou que a rodada reduz uma barreira recorrente para os pequenos negócios: o acesso aos responsáveis pelas contratações.
“A feira encurta o caminho até quem toma a decisão e permite apresentar nossa solução diretamente”, afirmou.

Para os compradores, o encontro ajuda a diversificar e regionalizar a cadeia de fornecimento. Ruy Keil Júnior, supervisor de compras da Renault, afirmou que o aumento da produção ampliou a procura por novos parceiros na Região Metropolitana de Curitiba.
Segundo ele, a rodada aproxima a área de compras de empresas que muitas vezes têm dificuldade para chegar às grandes indústrias. Algumas das participantes, acrescentou, já avançaram para o relacionamento comercial.
“Encontramos no Paraná, em Curitiba e na Região Metropolitana empresas com capacidade para atender às nossas demandas”, enfatizou.
Parceria mira produtividade
A Expo+Indústria também sediou, no estande do Sebrae/PR, o lançamento do Juntos pela Indústria Paraná. A iniciativa é um desdobramento do movimento nacional de atuação integrada entre o Sebrae e o Sistema Indústria, voltado à articulação de competências e soluções para fortalecer a competitividade industrial.
No Paraná, a primeira frente terá como foco o setor de vestuário e atenderá 25 indústrias de diferentes regiões. A proposta é diagnosticar os principais desafios de cada empresa e elaborar planos de ação voltados à produtividade e à competitividade.
O diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Tioqueta, destacou que o movimento reúne competências e soluções do Sebrae e do Sistema Indústria, com atenção especial aos pequenos negócios. Das 179.011 empresas industriais do Paraná, 155.581 são micro e pequenas, cerca de 87% do total.

Para Tioqueta, a atuação integrada permitirá identificar com mais precisão as necessidades de cada negócio e conectá-lo a soluções relacionadas à produtividade, tecnologia, inovação, sustentabilidade, qualificação profissional e acesso a mercados.
“Quando atuamos de forma articulada, conseguimos avaliar cada empresa de maneira mais completa e indicar as soluções mais adequadas”, afirmou.
O superintendente da Fiep, João Mohr, ressaltou que as necessidades variam conforme o estágio de maturidade de cada indústria. Algumas empresas ainda precisam estruturar sistemas de gestão e qualidade; outras demandam melhorias de layout, eficiência energética, automação ou novos equipamentos. Por isso, o atendimento será individualizado.
O projeto-piloto acompanhará, durante um ano, empresas de diferentes regiões do Paraná. A escolha do vestuário considera a capilaridade do segmento no Estado e os possíveis impactos da reforma tributária sobre negócios que hoje contam com incentivos. “Os desafios aparecem em diferentes níveis e exigem respostas específicas”, disse Mohr.
A apresentação contou ainda com a presença do diretor-técnico do Sebrae/PR, César Reinaldo Rissete, do diretor de Administração e Finanças, José Gava Neto, do presidente interino do Sistema Fiep, Virgílio Moreira Filho.

