
O mês de junho marca um momento histórico para os produtores do Café Serra de Apucarana. É a primeira colheita realizada desde a conquista da Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem (DO), concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em janeiro deste ano. O reconhecimento atesta que a qualidade e as características do produto estão diretamente relacionadas às condições naturais e humanas do território, como clima, solo, altitude e o conhecimento acumulado pelos produtores ao longo das gerações.
“A IG é resultado de um esforço coletivo envolvendo produtores, associações, instituições parceiras e lideranças locais. Agora, os produtores começam a colher não apenas os frutos do café, mas, também, os resultados de um trabalho construído ao longo de muitos anos”, salienta a consultora do Sebrae/PR, Thabata Alba.

O ex-presidente da Associação dos Cafeicultores de Apucarana (Acap), Carlos César Bovo, e atual Diretor Comercial dos Cafés da IG, conta que a conquista despertou o interesse de novos produtores em se adequarem aos processos de qualidade e de procedência determinados.
Além dos 30 cafeicultores certificados em Apucarana, Cambira e Arapongas, municípios que compõem a IG da Serra de Apucarana, novos produtores da região demonstraram interesse em aderir ao grupo e atender aos critérios da Denominação de Origem.
“Hoje podemos dizer que estão conscientes da importância de se manter o cuidado e a qualidade em todas as etapas do processo. Eles viram, na prática, que isso desperta o interesse dos consumidores e abre portas para novos mercados”, relata Bovo.
Ele diz que o objetivo inicial é focar na comercialização nos estados da Região Sul e, também, em São Paulo, para no futuro pensar em exportações.
“Algumas amostras da última colheita foram enviadas para os Estados Unidos e Suíça, mas sabemos que para exportar existe um caminho a ser trilhado. Além do volume de produção, a gente precisa entender o modelo de vendas e outras coisas para chegar no patamar. Apesar de sabermos que isso não é para agora, o Sebrae está nos ajudando a pensar nesse futuro, assim como fez em todo o processo para a conquista da IG e agora no selo de rastreabilidade do produto”, pontua.
Selo de rastreabilidade
A consultora do Sebrae/PR, Thabata Alba, afirma que a expectativa é que a Indicação Geográfica contribua para ampliar o acesso dos produtores da Serra de Apucarana a mercados mais exigentes e consumidores que valorizam a origem dos produtos.
“A IG agrega valor ao produto, fortalece a comercialização e cria novas oportunidades para que os cafés da Serra de Apucarana alcancem consumidores que valorizam qualidade, origem e rastreabilidade”, considera.
Além disso, Thabata explica que em paralelo à colheita, os produtores estão preparando as embalagens e rótulos que permitem a rastreabilidade do perfil de cada cafeicultor que atende à IG.
“Os produtores estão em época de colheita e, depois, enviarão amostras do café para análise para definir o perfil sensorial, a região, entre outras informações. O consumidor terá acesso a tudo isso a partir do QR Code da embalagem do produto”, explica.

Terroir da Serra
O Café Serra de Apucarana tem terroir característico graças aos fatores naturais da região, especialmente o relevo. Como resultado, o café da Serra de Apucarana apresenta perfil sensorial próprio, com acidez equilibrada, notas frutadas (como frutas amarelas e vermelhas) e predominância de melaço.
Próximos passos
Carlos César Bovo conta que para aumentar a capacidade produtiva e garantir ainda mais a qualidade do café especial, a Associação dos Cafeicultores de Apucarana está participando de um edital do Itaipu Parquetec que poderá viabilizar a compra de três máquinas para automatizar e dar mais precisão à separação dos grãos.
“Hoje a gente faz essa separação em uma máquina que chamamos de bica corrida, mas que não separa grãos miúdos de grãos graúdos, por exemplo. Por isso, ainda dependemos de uma etapa manual de separação. Como queremos aumentar a produtividade sem perder qualidade, submetemos um projeto para a compra das máquinas. Estamos ansiosos e esperançosos porque isso vai ajudar muito a gente a programar o aumento da produção do Café da Serra de Apucarana”, projeta o diretor.

Produção
Bovo explica que o volume da primeira colheita com IG só será conhecido entre o final de agosto e início de setembro deste ano. Questionado sobre a expectativa, ele detalhou que 2026 é um ano teste. “A gente não consegue mensurar ainda porque é a primeira vez que vamos medir os resultados desde que adotamos as práticas adequadas da IG.”
Apucarana é, hoje, o quinto maior produtor de café do Paraná, com uma área cultivada de 1.200 hectares e uma produção anual de 2.376 toneladas, de acordo com a Secretaria Municipal de Agricultura.
