
Com o objetivo de aproximar ainda mais as soluções inovadoras das necessidades reais do mercado, o Sebrae/PR e o Centro de Inovação do Comércio e a Governança do Comércio de Londrina — Comércio InFoco, estão testando um novo modelo de hackathon voltado ao setor varejista.
Batizada de Solveathon, a metodologia propõe uma jornada de três meses, em vez do formato tradicional concentrado em um único fim de semana. A proposta é ampliar o tempo dedicado à pesquisa, à imersão nos problemas do setor e à validação das ideias antes do desenvolvimento das soluções.
O primeiro evento a validar o novo modelo é o RetailTech 2026, realizado entre maio e agosto deste ano, em Londrina. A iniciativa reúne participantes de diferentes áreas para desenvolver propostas voltadas aos desafios do comércio local, com foco na criação de soluções mais aplicáveis, viáveis e conectadas à realidade dos empresários.
Além da elaboração das ideias, os participantes passam por uma jornada de aprofundamento no problema apresentado. Ao final do processo, as soluções vencedoras seguem para programas de incubação em instituições parceiras, ampliando as chances de continuidade e aplicação prática no mercado.

“Até o ano passado, rodávamos um modelo de imersão em que os participantes mergulhavam em todas as etapas em um único final de semana. Com esse novo formato, eles tiveram mais tempo para entender as dores reais do setor e, no fim de semana, focaram no desenvolvimento do MVP. Acredito neste modelo e tenho certeza de que teremos resultados excelentes”, afirma a consultora do Sebrae/PR, Alesandra Almeida.
O vice-presidente do CIC, Ovhanes Gava, também destaca as expectativas em relação aos resultados que o novo formato pode gerar para o programa de incubação do Centro, especialmente pela imersão mais aprofundada nas dores do setor.
“Um diferencial interessante é que os participantes tiveram a oportunidade de conversar com três varejistas de Londrina, que se dispuseram a apresentar dores reais do comércio para as equipes. Além disso, é uma satisfação saber que fomos pioneiros no uso da metodologia porque isso também é inovar, uma busca constante e que está no DNA do Centro”, afirma Ovhanes.
Resposta a um incômodo
Segundo Alesandra, a nova metodologia surgiu a partir de um incômodo percebido ao longo do último ano: a baixa continuidade de projetos desenvolvidos em hackathons após o encerramento das maratonas. Posteriormente, esse desafio foi reforçado por dados divulgados por instituições como MIT e Harvard, que indicam que, em média, apenas 7% dos projetos criados em hackathons ao redor do mundo continuam ativos depois de seis meses.
Em 2025, foram realizados dez hackathons e ideathons em Londrina, com a participação de quase 500 pessoas. Apesar da mobilização, poucas ideias se efetivaram como soluções reais para o mercado, de acordo com a avaliação dos agentes locais.
A metodologia Solveathon foi criada no primeiro semestre deste ano, em uma colaboração entre Sebrae/PR e governanças de Londrina. A inspiração metodológica partiu de abordagens utilizadas por instituições internacionais que atuam com inovação aplicada, como MIT Solve, Harvard Innovation Labs, Stanford Impact Labs e Imperial College Enterprise Lab.
Comércio é o primeiro setor a testar o modelo
O primeiro teste do Solveathon ocorreu com o RetailTech 2026, atividade realizada entre maio e agosto deste ano, com foco no comércio varejista de Londrina. Ao todo, 20 equipes iniciaram a jornada em maio. Depois de sete etapas, dez se classificaram para a fase de mentoria e desenvolvimento do MVP, e três foram escolhidas como vencedoras por uma banca de avaliação. Com isso, as equipes passam a integrar o programa de incubação do Centro de Inovação do Comércio de Londrina.
No sábado (4), os participantes receberam mentorias e realizaram exercícios de validação com varejistas e consumidores no Shopping Boulevard, onde está localizada a empresa de tecnologia Big4Tech, que sediou a última etapa da maratona. As equipes vencedoras da edição 2026 foram Kairon, Roculo e Tech Soul. Até outubro, elas participarão do programa de incubação do CIC para avançar no desenvolvimento das soluções e, futuramente, terem condições de oferecê-las aos varejistas.
O coordenador da Governança Comércio In Foco, Samir Nasser, destaca que existe uma expectativa alta sobre esse novo formato.
“Ficamos felizes de termos essa metodologia aplicada na nossa vertical. Pensamos que esse formato tem tudo para ser mais bem sucedido que o formato anterior e esperamos que isso tenha aplicabilidade prática e que ajude as empresas do nosso setor e, no futuro, com a metodologia validada, para outros setores também”, diz Samir.

Experiência dos participantes e parceiros
Para participantes do RetailTech 2026, o formato mais longo contribuiu para o amadurecimento das soluções apresentadas. Estudantes do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS) da Universidade Positivo, em Londrina, contam que participam de hackathons desde o ano passado para exercitar o pensamento inovador na criação de soluções para o mercado.
“A gente gostou muito desse novo formato porque tivemos mais tempo para entender o problema e conversar com os empresários que precisam solucionar questões de estoque, marketing e gestão. Ter tempo para entender, pesquisar e validar tudo isso tem nos ajudado a criar e apresentar uma solução mais madura”, conta Lucca Felipe, representante do grupo.
A estudante de Ciência da Computação da UniFil, Mariane Maicá Silveira, que participou pela primeira vez de uma maratona de inovação, também aprovou o formato alongado.
“Percebi que todas as equipes se engajaram bastante. Tivemos tempo para entender e rever a solução, além da experiência de entrevistar representantes de empresas da cidade. Achei a experiência bem rica”, conta Mariane.
A empresa londrinense de tecnologia Big4Tech sediou a etapa de mentoria e validação realizada no último sábado. Para o COO da empresa, Anselmo Endlich, o novo modelo favoreceu o desenvolvimento de propostas mais robustas.
“A gente atua como venture builder, apoiando desde startups até empresas tecnologicamente mais maduras. Este novo formato foi muito interessante porque conseguimos acompanhar soluções mais robustas. Mesmo com o mesmo problema, as equipes apresentaram soluções bem diferentes, e apostamos que podem dar muito certo”, avalia Anselmo.
