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Inovação, mercado e qualificação técnica no Encontro de Sucos & Vinhos, em Bituruna

Evento aconteceu nos dias 15 e 16 de abril, com a participação de empreendedores, pequenos produtores, pesquisadores e entusiastas do tema
Por ASN Paraná
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Dois dias de conteúdos, troca de conhecimentos e visitas técnicas. Assim foi o 2º Encontro Estadual de Sucos & Vinhos que aconteceu em Bituruna, no Sul do Paraná, nos dias 15 e 16 de abril. O evento direcionado para produtores, empreendedores e para quem deseja conhecer mais sobre essa área reuniu mais de 300 participantes no Centro de Eventos do município. Desde 2020, a cidade é reconhecida como a “Capital Estadual do Vinho”.

Durante a quarta-feira, 15, o Encontro promoveu palestras e talk shows com diversos temas, entre eles: os desafios do setor, manejo, comercialização, mercado, aumento de produtividade e enoturismo. Já na quinta-feira, 16, o evento foi marcado por visitas técnicas e trocas de experiências nas vinícolas Bertoletti, Sanber, Di Sandi e Dell Mont, permitindo aos participantes vivenciarem de perto os processos de produção e conhecerem a trajetória das famílias.

A consultora do Sebrae/PR, Alyne Chicocki, destacou a importância da conexão e do trabalho coletivo para o fortalecimento da vitivinicultura no Estado.

“Tivemos um espaço de conexão e construção coletiva. Quando o produtor entende com quem pode contar, ele avança com mais segurança. Estamos falando de uma cadeia que envolve famílias, história, Indicação Geográfica e identidade territorial, e que ganha força quando trabalhada de forma integrada, com inovação e acesso a mercado”, afirma Alyne.

2º Encontro Estadual de Sucos & Vinhos, em Bituruna, contou com mais de 300 participantes. Foto: Rodrigo Bortot.

O presidente da Associação dos Vitivinicultores do Paraná (Vinopar), Claudinei Bertoletti, destacou a consolidação do encontro como um espaço importante de troca e de fortalecimento do setor no Estado.

“Foi satisfatório realizar mais esta edição, o que se consolida como um momento essencial para debater o desenvolvimento da nossa cadeia produtiva. Esse encontro nasce do incentivo e da união de muitos produtores, promovendo troca de experiências e aprendizado coletivo. Hoje já começamos a colher os frutos desse trabalho. Que todos aproveitem ao máximo e que este evento siga impulsionando a vitivinicultura paranaense”, acrescenta Claudinei.

O prefeito de Bituruna, Rodrigo Rossoni, destacou o orgulho do município em sediar o encontro e reforçou o potencial da região na vitivinicultura e no turismo.

“É uma alegria receber este evento, valorizando uma região reconhecida pela força do trabalho e pelos resultados no campo. Aqui, o conhecimento se transforma em realidade nas propriedades, fortalecendo ainda mais a agricultura. Temos vinícolas premiadas, uma estrutura que apoia o produtor e uma cidade preparada para acolher os visitantes. Convido todos a conhecerem nossa rota do vinho e levarem daqui aprendizados que façam a diferença em suas atividades”, salienta Rodrigo.

Palestras e conteúdo

O engenheiro agrônomo José Luiz Marcon Filho conduziu a palestra “Diferentes sistemas, os mesmos desafios”, abordando a importância de repensar os modelos produtivos na vitivinicultura.

“Precisamos mudar o olhar sobre a forma de produzir, adotando uma agricultura de processos, com princípios ecológicos, respeito aos seres vivos e observação atenta da natureza. Seja no sistema convencional, orgânico ou agroflorestal, o que muda são os manejos e insumos, mas o desafio é o mesmo. A planta responde ao ambiente, por isso é essencial trazer mais biodiversidade para os sistemas e cuidar da vida do solo”, comenta José.

O palestrante José Luiz Marcon Filho falou sobre os desafios da área e os diferentes sistemas de manejo. Foto: Rodrigo Bortot.

Pioneiro no cultivo protegido de uvas finas, o produtor Charles Venturin, de Caxias do Sul (RS), compartilhou as experiências que a família tem no fomento ao turismo rural.

“Estar aqui e compartilhar um pouco do que aprendemos e que nos levou também ao enoturismo e à valorização da experiência do cliente é muito gratificante. Atualmente, além da produção, recebemos pessoas para degustações e momentos de lazer, o que gera novas oportunidades de renda. Participar aqui é poder compartilhar a nossa trajetória, mas também levar aprendizados e novas ideias para casa”, ressalta Charles.

Visitas técnicas

A produtora Lucélia Simeone, de Mariópolis, no Sudoeste do Paraná, participou do Encontro em busca de conhecimento e de novas oportunidades para expandir sua atuação no setor.

“Sou produtora rural e hoje já contamos com a Vinícola Simeone registrada, trabalhando com vinho colonial e suco. Nossa história vem de mais de 60 anos, passando por gerações da família. Participo do encontro para buscar conhecimento e avançar na transição para vinhos finos, agregando valor ao produto. As palestras trouxeram aprendizados importantes, desde manejo até novas variedades e processos de legalização. Foi uma experiência muito enriquecedora”, pontua Lucélia.

Visita técnica na Vinícola Bertoletti, uma empresa familiar repleta de tradição no cultivo de videiras e produção de vinhos. Foto: Rodrigo Bortot.

Janete Giazzon, de São Mateus do Sul, foi a Bituruna buscando novas ideias para fortalecer o turismo rural em sua propriedade.

“Viemos ao encontro principalmente para buscar inspiração no turismo rural, que queremos desenvolver em nossa propriedade. Queremos ampliar essa experiência para receber visitantes, por exemplo com café colonial, caminhada, entre outras atrações. As palestras trouxeram muitos aprendizados, especialmente sobre sustentabilidade e valorização da terra. Saímos motivados, com novas ideias e a certeza de que é possível crescer”, finaliza Salete.

Capital do Vinho e IG

Instituída em 18 de junho de 2020 pela Lei 20.241, Bituruna é reconhecida como a Capital Paranaense do Vinho. O município está localizado na região sul do Estado, aproximadamente 313 quilômetros de Curitiba. A cidade conta com uma grande influência de sua colonização de origem italiana e gaúcha, o que levou ao desenvolvimento do cultivo da uva, utilizada na produção de vinho, mas também na gastronomia, turismo e como fonte de renda para muitos produtores.

Entre os 24 registros paranaenses de Indicação Geográfica (IG), Bituruna também conta com um reconhecimento. Quatro vinhos casca dura (do tipo branco, aromático, seco, que leva esse nome por ser de uma variedade de uva rosada com a casca mais grossa, proveniente do cruzamento natural da uva moscato com uma variedade nativa) receberam a IG. O reconhecimento foi concedido à Associação dos Produtores de Uva e Vinho de Bituruna (Apruvibi) para quatro vinícolas: Bertoletti, Sanber, Di Sandi e Dell Mont.

Participantes do Encontro Estadual degustaram sucos e vinhos produzidos em Bituruna, conheceram processos produtivos e visitaram vinícolas. Foto: Rodrigo Bortot.

Parceiros

O evento foi realizado pelo Sebrae/PR, Prefeitura Municipal de Bituruna, Secretaria Estadual de Agricultura do Paraná, Apruvibi, IDR-Paraná, IG dos Vinhos de Bituruna e com a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), reforçando a importância do trabalho coletivo das instituições públicas e privadas em prol do desenvolvimento da cadeia produtiva. A atuação do Sebrae/PR no evento reforça seu papel como articulador do desenvolvimento territorial, conectando produtores, instituições e mercado. A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento da cadeia da vitivinicultura, com foco em inovação, qualificação e geração de valor para os empreendimentos locais.

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