A londrinense Aceno Tecnologia está entre as 16 empresas brasileiras com projetos aprovados no Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação) da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). A iniciativa prevê o desenvolvimento de uma plataforma de robótica autônoma voltada à indústria automotiva nacional. Desde 2017, a empresa conta com apoio do Sebrae/PR em capacitações e no acesso a certificações exigidas por editais e grandes indústrias.

O projeto também contribui para o fortalecimento da indústria nacional, ao ampliar a autonomia tecnológica e reduzir a dependência de soluções internacionais. Com R$3 milhões da Finep e contrapartida de R$ 500 mil da própria empresa, o investimento total de R$3,5 milhões será aplicado em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. A partir de março, o projeto prevê a geração imediata de pelo menos dez empregos de alta qualificação em Londrina, com vagas para engenheiros, analistas, cientistas da computação e especialistas em inteligência artificial.
Os recursos captados também referenciam ações conjuntas com instituições como a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR – Campus Cornélio Procópio), parceiras na troca de conhecimento e na formação de talentos.
“Além da UEL e UTFPR, a proximidade com o Senai também auxilia no acesso a serviços altamente especializados e à mão de obra qualificada”, detalha Lucas Lone, CEO e cofundador da Aceno.

Para o consultor do Sebrae/PR, Gustavo Ishikawa, Londrina se destaca no setor pela articulação entre empresas e instituições como o Ecossistema EletroMetalMecânico de Londrina e Região (Inovemm), o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas do Norte do Paraná (Sindimetal) e o próprio Sebrae/PR.
“É um setor que, historicamente, busca soluções inovadoras para se tornar cada vez mais competitivo. As empresas investem na capacitação de lideranças e equipes e mantêm uma cultura de troca para encontrar respostas às novas demandas dos mercados nacional e internacional”, diz Gustavo.
Sobre o edital, Gustavo reforça que os aportes disponíveis são oportunidades para os empresários.
“Há burocracias próprias desse tipo de iniciativa, mas o Sebrae/PR e os parceiros do setor oferecem capacitações e orientações para preparar as empresas para esses processos. O diferencial é que, ao contrário de linhas de crédito tradicionais, o empreendedor não precisa se preocupar com a devolução dos recursos, e sim com a execução da solução”, pontua o consultor.
O projeto
“Submetemos o projeto em junho do ano passado. No final do ano, a Finep divulgou a lista dos primeiros nove aprovados no Programa e, agora em fevereiro, recebemos a primeira parcela do aporte para, de fato, viabilizarmos o projeto e as primeiras contratações”, afirma Lucas.
Ele explica que os R$3,5 milhões destinados ao projeto da plataforma de robótica autônoma serão investidos em Londrina. “Ao contrário do que se possa imaginar, esse não é um dinheiro que a empresa ‘ganha’. É um aporte que tem 70% do valor destinado à folha de pagamento para os novos profissionais que irão desenvolver a tecnologia. O restante é basicamente investimento em outras necessidades da solução em si”, afirma.
Lucas afirma que a aprovação no programa prevê um cronograma de prestação de contas à Finep, tanto no âmbito financeiro quanto no quesito de alcance dos objetivos tecnológicos.
“Isso é normal quando se fala em um edital com aporte financeiro, seja público ou privado. No caso específico do Mover isso também é importante para o acompanhamento do objetivo maior que é o de contribuir com a competitividade da indústria nacional e diminuir a dependência internacional”, enfatiza o CEO.
A solução
Tiago Lone, CTO e cofundador da Aceno, explica que a iniciativa pretende automatizar atividades repetitivas e suscetíveis a falhas nas linhas de produção da indústria automotiva.
Na prática, será desenvolvido um robô autônomo, semelhante a um pequeno veículo, capaz de mapear o chão de fábrica em tempo real, com leitura visual, térmica e tridimensional. A partir de diferentes sensores, o sistema coleta dados e imagens de alta precisão para apoiar a gestão dos processos industriais.
“Nossos sistemas utilizam robôs autônomos e Inteligência Artificial para navegar por ambientes complexos e digitalizar grandes espaços da indústria, o que representa um avanço importante na gestão de estoques e processos”, explica Tiago.

Lucas Lone acrescenta que a iniciativa também utiliza a tecnologia dos chamados gêmeos digitais (digital twins), que são réplicas virtuais dinâmicas de ambientes e operações físicas.
“Essa tecnologia reflete, em tempo real, o que acontece nos ambientes industriais. Ela amplia a capacidade de coleta e gestão de informações, permitindo visualizar, localizar e rastrear materiais e produtos, além de gerar um histórico completo das operações”, afirma Lucas.
Participação em editais
Irmãos, Lucas e Tiago começaram a empreender há 23 anos, ainda estudantes de Ciência da Computação e Engenharia Elétrica da Universidade Estadual de Londrina (UEL), desenvolvendo projetos nos fundos de casa. Desde o início, identificaram nos editais uma oportunidade para transformar ideias em soluções práticas.
“Na universidade, percebemos que os editais eram fundamentais para tirar projetos do papel. Desde então, passamos a acompanhar essas oportunidades de forma constante. Já fomos contemplados em diferentes momentos, com projetos apoiados por diversas instituições. O aporte externo faz parte da trajetória da empresa”, conta Lucas.
Segundo ele, a partir de 2017, com o apoio do Sebrae/PR e de parceiros como o Inovemm e o Sindimetal, a empresa se preparou para aprimorar a elaboração de projetos para editais.
“Nem todas as submissões foram aprovadas no início, mas, com o aprendizado e o apoio recebido, conseguimos evoluir e alcançar resultados positivos”, afirma.
Para o presidente da Inovemm, Ricardo Cândido, esclarecer aos empresários as possibilidades de recursos via editais é o papel das instituições.
“Mesmo que a gente promova muitos eventos para mostrar e educar sobre o cenário, sabemos que ainda existem recursos disponíveis em editais que não são acessados por desconhecimento ou falta de capacitação das empresas. Trabalhamos de forma contínua para que todas as empresas do setor, independente do porte, consigam captar recursos via editais”, comenta Cândido.
Sebraetec é suporte para qualificações
Além do suporte técnico para a participação nos mais diferentes editais, Lucas e Tiago contam que o Sebrae/PR é, também, parceiro na viabilização de certificações específicas para determinados programas e aportes públicos e internacionalização das atividades da empresa. Segundo eles, as certificações apoiadas pelo Sebraetec tiveram impacto direto na viabilização dos negócios com grandes players do mercado.
“Conseguimos subsídio de 50% do valor para a obtenção das certificações ISO 27001 e ISO 27701. Foi isso que garantiu a nossa presença na primeira lista de aprovados do Programa Mover da Finep. Sem o Sebraetec seria muito difícil viabilizar as certificações necessárias para a aprovação do projeto”, ressalta Lucas.
De acordo com o CEO da Aceno, o ISO/IEC 27001 é a principal norma internacional para a gestão da segurança da informação que estabelece, implementa, mantém e melhora continuamente um Sistema de Gestão de Segurança da Informação (SGSI). “Já o ISO 27701 atua como extensão da ISO 27001 focado em gerenciar riscos de privacidade e proteger dados pessoais [PII – Personally Identifiable Information], além de adicionar requisitos específicos de privacidade”, explica.
O caso da Aceno reforça o papel do Sebrae/PR no apoio à inovação, desde a preparação para editais até a qualificação técnica necessária para competir em projetos de alta complexidade.
